Tom Tom Club (Sire)

Ok, é quase um consenso que o quarteto Talking Heads (liderado por David Byrne) foi uma das principais bandas norte-americanas dos anos 80. Mas não é por isso que vamos deixar de lado o grupo paralelo que 50% dos Heads (a baixista Tina Weymouth e o baterista Chris Frantz, ambos casados) criaram em 1981: o Tom Tom Club.

Tudo começou nas Bahamas, onde o casal tinha uma casa. Lá, conheceram o tecladista Steven Stanley e Monty Brown, guitarrista do grupo local T-Connection (o mesmo que emplacou na década de 70 sucessos como "At Midnight" e "Do What You Wanna Do"). Daí para fazerem um trabalho diferente do que faziam com os Talking Heads foi um pulo: Tina reuniu três irmãs, o amigo e guitarrista Adrian Belew (King Crimson, Frank Zappa, David Bowie e os próprios "cabeças falantes") foi chamado e assim por diante...

O álbum gravado em fins de 1981 era uma bela surpresa: uma salada de ritmos (no bom sentido da expressão) que misturava influências caribenhas, black music, rock, reggae. A faixa de abertura, "Wordy Rappinghood", com sua introdução movida a teclas de máquina de escrever, é um clássico absoluto.

Outra grande canção do disco é "Genius of Love", que muitos chamavam na época de "a Melô do James Brown". Isso porque, na letra, o Tom Tom Club celebra os grandes nomes da música negra, como o próprio James Brown, Smokey Robinson e Bob Marley. A música é perfeita desde a insólita introdução, onde guitarra e teclado dialogam para dar a vez a um baixo matador e a claps que remetem a grupos como One Way e Zapp.

Mas há outras coisas legais, como "Lorelei" (a faixa que mais se aproxima do "formato Talking Heads"), "L'Éléphant" (uma música meio caribenha com uma guitarra entrecortando quase toda a canção) e "On, On, On, On..." (um roquinho popíssimo até a medula).

Quem conseguir comprar a versão em CD lançada nos EUA leva quatro bônus tracks em relação ao LP de 1981: os remixes (originais da época) de "Lorelei", "Wordy Rappinghood" e "Genius of Love", e a versão feita pelo grupo em 1982 para "Under the Boardwalk" (sucesso original do grupo vocal Drifters, de 1968). Poderia ter a versão de "Femme Fatale", do Velvet Underground, gravada em 1989, para tornar o disco mais insólito ainda. Mesmo assim, é diversão garantida.

Ricardo Jorge

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