Pet Shop Boys - Introspective (Parlophone/EMI)

Sempre uma boa parte da crítica especializada torceu o nariz para a dupla Pet Shop Boys, formada pelo ex-jornalista Neil Tennant (ex-"Smash Hits") e por Chris Lowe. No começo da carreira, houve várias parcerias (os produtores Bobby Orlando e Stephen Hague, o arranjador Ennio Morricone, a cantora Dusty Springfield).

Tudo isso, porém, não foi suficiente para diminuir o peso da acusação: fazer um pop fácil, uma espécie de "subtecno-pop", nada que pudesse fazer frente a grupos como Human League, Ultravox ou Depeche Mode.

Álbuns como "Please" e "Actually" foram execrados em praça pública pelas revistas "sérias" (no Brasil, "Bizz" e "Somtrês", por exemplo). Afinal, o PSB ainda tinha uma forte influência da disco music, mas naquela época (primeira metade dos anos 80, Madonna etc.), nada disso era muito levado a sério.

Porém, a dupla cometeu um achado para as pistas de dança (que era o que importava, no final das contas). Assim, o ano de 1988 via vir ao mundo "Introspective" e sua já clássica capa multicolorida. Apenas seis quilométricas faixas (a menor, "I Want a Dog", tem 6 min e 15 seg.) e muita vitalidade para quem queria dançar.

O PSB radicalizou ao extremo neste álbum. Abusou da grandiloqüência ("Left to my Own Devices"), flertou com as sonoridades latino-americanas ("Domino Dancing" foi fortemente influenciada pelo Exposé), releu Elvis Presley ("Always on my Mind") até chegar ao ápice com a versão para "It's Alright" (na verdade, uma canção house de Chicago).

Posteriormente, o PSB não conseguiu fazer discos de qualidade igualável. "Behaviour", "Very" e "Bilingual" trazem algumas boas faixas; os trabalhos com a dupla Electronic (Bernard Summer, do New Order, e Johnny Marr, ex-guitarrista dos Smiths) tinha canções legais, mas nada que se comparasse a "Introspective".

O PSB ainda mantém a capacidade de fazer singles competentes (vide "New York City Boy", 1999), mas se você tivesse de apostar suas fichas num só álbum, com certeza teria de ser "Introspective". A era house agradece...

Ricardo Jorge

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