Stevie Wonder - Original Musiquarium I (Motown)

Quem poderia imaginar que, nos anos 60, um garoto cego poderia vir a se tornar um dos maiores nomes da música negra norte-americana contemporânea? Foi o que aconteceu com Stevie Wonder, um artista que até hoje compõe, arranja, produz e toca. Literalmente, um faz-tudo.

Wonder começou a amadurecer no início dos anos 70, com álbuns como "Music of my Mind" e "Talking Book". Na virada para os anos 80, já era verdadeiramente um pop star. Para muitos, o disco "Original Musiquarium I" (duplo, 1982) é o ápice dessa carreira. Para outros, discos posteriores como "In Square Circle" e a trilha sonora de "A Dama de Vermelho" já mostravam um Stevie Wonder longe dos melhores momentos.

Com esse álbum duplo, porém, a coisa é diferente. É, simultaneamente, uma coletânea (12 clássicos) e um novo disco (quatro faixas inéditas). O melhor da produção de Stevie Wonder em dez anos de carreira (72-82) está lá.

Entre os clássicos à toda prova estão faixas como "Superstition", "You Are the Sunshine of my Life" e "Isn't She Lovely". Há também reggae musculoso ("Master Blaster (Jammin'))", black de primeira ("You Have Done Nothin'", "I Wish", "Sir Duke" e "Higher Ground", a mesma que foi regravada pelo Red Hot Chilli Peppers) e baladaça de fazer pedra chorar ("Superwoman").

No lado das novidades, também há canções primorosas. Impossível fazer impassível com o lamento de "My Girl", a suavidade de "Ribbon on the Sky" e com o suíngue de "Do I Do", um verdadeiro convite à dança e cujos mais de dez minutos (?!?), de repente, parecem passar rapidamente.

Resumo da ópera: o disco de cabeceira de Jamiroquai, Jota Quest e toda essa galera que quer soar funky no século XXI...

Ricardo Jorge

Zona musical