Giorgio Moroder - From Here to Eternity (Oasis)

Fazer um disco totalmente eletrônico nos dias de hoje é moleza. Na metade dos anos 70, porém, a coisa era um pouco mais complicada. Tanto que apenas dois nomes são considerados fundamentais no casamento entre as músicas eletrônica e pop: os alemães do Kraftwerk e o italiano Giorgio Moroder.

Moroder começou a ficar conhecido no início dos anos 70 com a canção "Son of my Father" (1971, também gravada pelo grupo inglês Chicory Tip). Apesar de italiano de nascença, Moroder se radicou desde fins dos anos 60 na Alemanha, país de grupos como Kraftwerk e Can (fontes de inspiração para ele). Porém, seria com as composições e produções, em parceria com Pete Bellotte, feitas para Donna Summer ("I Feel Love", "Love to Love You Baby", "On the Radio"), que ele ficaria conhecido. Depois, vieram as produções para Blondie, Limahl, Bronski Beat, Berlin e Sigue Sigue Sputnik, dentre outros, além de trilhas para os filmes "Metropolis", "Gigolô Americano" e "Flash Dance".

Mas um trabalho é fundamental na obra de Giorgio Moroder: o disco "From Here to Eternity", de 1977. Na contracapa do LP, dentre outras informações, os lendários dizeres "only electronic keyboards were used on this recording" e os créditos ao parceiro Bellotte, que participou do disco como co-compositor e como a "mystery voice".

Gravado em Munique, Alemanha, em pleno 1977, esse álbum pop totalmente eletrônico foi um dos grandes combustíveis para a emergente "disco music" (é preciso lembrar que a ficção científica fazia parte do imaginário da época e vocoders simulando vozes de robô, para muitos, eram tudo!). A partir daí, vieram Automat, Gino Soccio, Telex, Dee D. Jackson, Claudja Barry e outros nomes que flertaram com o eletrônico: nascia um subgênero da disco music, chamado "eurodisco" (cujos grandes representantes foram, por exemplo, Patrick Hernandez, Voyage e Cerrone).

O disco abre com a clássica faixa-título, cinco minutos de efeitos sonoros, vocoders, vozes "misteriosas" e teclados Moog programados. A base eletrônica se mantém ao longo de quase todo o disco, em faixas como "Utopia" (também sucesso na época). Fechando o álbum, temos "Too Hot to Handle", que ficou muito conhecida no Brasil por participar da coletânea "Discoteca Papagaio" de 1978, mas creditamente apenas a "Giorgio". Aliás, ver referências a "Giorgio" ou a "Moroder" eram comuns na época.

Para os que ouvem a música eletrônica feita no século XXI (como Daft Punk, Cassius, Stardust), o som de Giorgio Moroder pode soar datado. Para quem acompanhou aquele período, foi o melhor cruzamento entre disco, pop e eletrônico feito na época. Se for difícil encontrar o LP nos sebos, um lembrete: o disco foi lançado em CD na Alemanha em 1992, pela Castle.

Ricardo Jorge

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