Vários - Geração Anos 80 - singles vol. 1 (Warner)

Em meio ao marasmo do rock nacional, chega às lojas em boa hora uma verdadeira dádiva aos saudosistas dos anos 80. É a coletânea "Geração Anos 80 - singles vol. 1", da Warner, que resgata alguns dos últimos registros dos compactos simples lançados no Brasil na década de oitenta.

Nove compactos da Warner são registrados no CD, reunindo artistas em início de carreira (Ira, Kid Abelha, Ultraje a Rigor, Lulu Santos, Titãs) e outros que ficaram pelo caminho (Brylho, Magazine e os hoje esquecidos Agentss e Azul 29). Os registros originais foram remasterizados pelo baterista Charles Gavin (Titãs) e pelo produtor Ricardo Garcia.

Dois aspectos devem ser ressaltados aqui. Um deles é o capricho de incluir as capas e contra-capas dos compactos originais ao longo do encarte, o que só vai aumentar o saudosismo dos fãs - é legal ver o guitarrista Edgard Scandurra ao lado dos "hermanos" do Ultraje e os bateristas Charles Gavin no Ira e André Jung nos Titãs. Um senão diz respeito à revisão: encontra-se, por exemplo, num texto do produtor Pena Schmidt, o verbo (?!?) "exitou" no lugar de "hesitou". Mais cuidado, porque, no Brasil, encarte não é sinônimo de cultura, infelizmente...

O outro aspecto é lembrar o próprio papel da Warner no cenário pop brasileiro, na virada dos anos 70 para os 80. Na época os astros da gravadora eram Frenéticas, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Guilherme Lamounier, Gilberto Gil e A Cor do Som, só para lembrar de alguns. A tendência natural e posterior à disco music e ao pop de então eram a new wave, o punk e o tecno-pop, em particular na Inglaterra. Antenada com os novos sons dos anos 80, a Warner passava a investir nesses nomes.

É esse cenário, dentro do Brasil, que a coletânea "Geração Anos 80" resgata: o pop-new wave do Kid Abelha, o iê-iê-iê proto-punk dos Titãs, o pop-guitar-rock melódico de Lulu Santos, a fúria mod do Ira, o tecno-pop dos grupos Agentss e Azul 29, o soul-disco do Brylho, o rock-boy do Magazine e a esculhambação-mor do Ultraje a Rigor. E tome "Pintura Íntima", "Sonífera Ilha", "Areias Escaldantes", "Noite do Prazer", "Sou Boy" e as versões originais (oba!!!) de "Inútil" e "Mim Quer Tocar" (Ultraje) e "Pobre Paulista" e "Gritos na Multidão" (Ira).

E um senão final: o compacto do Lulu Santos em questão é (perdão, era...) duplo, ou CD (!!!), como se abreviava na época. Assim, faltaram a clássica "De Leve" (versão da beatlesca "Get Back") e "Fricção Científica". Aos curiosos, uma dica: o CD duplo de Lulu Santos, na série "e-collection", traz as duas faixas. É ouvir e esperar pelo volume 2 (afinal, o subtítulo é "singles vol. 1". Ou é apenas uma estratégia de mercado?).

Ricardo Jorge

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