HISTÓRICO:
Antes de 1979:
O grileiro Sr. Antônio Sales Magalhães* compra várias
pequenas glebas de terra a mais ou menos 2 quilômetros da praia e
consegue o "milagre" de registrar a sua propriedade de 749 hectares incluindo
a faixa da praia no cartório de Beberibe.
26 de abril de 1979:
O Sr. Antônio Sales Magalhães ingressa com ação
de usucapião na Comarca de Beberibe para regularizar 749, 44 hectares
(setecentos e quarenta e nove mil e quarenta e quatro hectares). Esta área
esta sendo habitada desde 1860, aproximadamente, pelas famílias
dos moradores da Prainha do Canto Verde.
24 de janeiro de 1984:
Embora sendo o imóvel usucapiado confinante com terreno da União
Federal (terra da marinha) e que obrigatoriamente a referida ação
seria de competência da Justiça Federal o juiz da comarca
de Beberibe julgou a ação favoravelmente ao Sr. Antônio
Sales Magalhães.
O Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos ( CDPDH) fundado pelo Cardeal Aloísio Lorscheider na Arquidiocese de Fortaleza assumiu a defesa dos moradores ameaçadas da expulsão da terra onde nasceram.
* O Sr. Antônio Sales Magalhães é um dos maiores especialistas em "aquisição" de terras de praia desde Fortim até Tatajuba no Município de Camocim, entre os parceiros e amigos conta gente como Henrique Jorge, João Gentil e Ivens Dias Branco - todos pessoas que gostam de praia.
10 a 14 de setembro de 1985:
O Seminário Rural da Arquidiocese de Fortaleza com a forte presença
do Dom Aloísio Lorscheider se celebra em Prainha do Canto Verde
em apoio a luta do povo pela terra: citamos do relatório "acontece
o XIII Seminário Rural, em Prainha do Canto Verde. O assumir das
comunidades se torna mais concreto. Para ajudar na alimentação
foram criados porcos, galinhas, pato com ampla participação.
Os pescadores, com a sua jangada comunitária, não mediram
esforço para complementar a alimentação com peixe
do mar. O aspecto da reivindicação toma nova dimensão
política, revitalizando as iniciativas comunitárias. Prainha
do Canto Verde foi um outro marco na mudança metodológico
do trabalho comunitário.
14 de dezembro de 1988:
A empresa imobiliária Henrique Jorge S.A. apresenta o projeto
"PORTO DAS JANGADAS" o qual divida a beleza natural da Prainha do
Canto Verde em 4'547 lotes numa área de 321 hectares. O projeto
de loteamento será posteriormente desaprovado pela SEMACE
por falta de área verde. A população fica a margem
de qualquer discussão sobre o futuro da sua moradia. Assim o Prefeito
de Beberibe Sr. Eduardo Queiroz Bessa autoriza o
loteamento no ultimo dia do seu mandato em 1988. A mesma autorização
foi revogado pelo novo Prefeito Edinaldo Bessa depois de assumir a Prefeitura
em 1989. Ninguém até hoje descobriu o motivo desta reviravolta
dos dois Prefeitos.
16 de abril de 1989: Nasce a Associação dos Moradores
da Prainha do Canto Verde.
Com total apoio do Cardeal Dom Aloísio Lorscheider o CDPDH ajuda
os moradores de se organizar a fim de poder se defender das agressões
dos especuladores e trabalhar para melhorar as condições
de vida dos moradores.
O Beto - José Alberto Cabral foi o grande padrinho da organização
da Prainha do Canto Verde.
03 de agosto de 1989:
Os advogados Francisco Silvino da Silva e Antônio José
Sampaio Ferreira do CDPDH promoveram a competente ação rescisória
no. 661/89 .
28 de dezembro de 1989:
O Desembargador Francisco Nogueira Sales determinou a competência
a Comarca de Beberibe para produção de prova, testemunhal
e pericial no prazo de 45 dias. Um sem fim de juizes da Comarca de
Beberibe demoraria dez anos para produzir tal prova testemunhal e pericial.
15 de agosto de 1991:
Começa o projeto de desenvolvimento comunitário com apoio
da Fundação Amigos da Prainha do Canto Verde.
3 de novembro de 1992:
15 capangas armados chegam no meio da noite e destruem o alicerce da
creche que os moradores estavam construindo com ajuda dos Amigos da Prainha
do Canto Verde. Os moradores encontram grandes dificuldades para
conseguir a apuração dos fatos pela policia civil de Beberibe,
já que não teve mortes. Embora os lideres dos capangas são
conhecidos de comunidades de Beberibe o inquérito acaba em nada.
O dono da Imobiliária declara a imprensa que ele não tem
nada a ver com a história, que não havia nenhuma questão
na justiça e que ele tinha presenteado a população
com 30 hectares há 5 anos.
A vida continua mas o Sr. Henrique Jorge não deixe duvida de que é ele quem manda na Prainha. Os vigias pagos pela imobiliária ameaçam moradores que queiram construir casas de alvenaria na área chamado Caucaia ( a parte mais pobre da comunidade). Os capangas fazem as rondas a pé ou de bugre, mantendo os moradores num estado de terror, dia e noite.
04 de abril de 1993:
S.O.S. Sobrevivência: 4 pescadores na jangada comunitária
e 2 mulheres de carro embarcam num aventura com muita coragem e fé
da Prainha do Canto Verde até o Rio de Janeiro. Cansados das
agressões vindo da terra pelos especuladores e do mar pelos predadores
da lagosta e sem apoio dos poderes públicos, resolvem levar
a protesta pelo Brasil afora. São 74 dias com paradas em 20 portos
e propostas serias são elaboradas. Mesmo assim, sobretudo, o Governo
do Estado do Ceará continua ignorando os interesses dos moradores
do litoral.
15 de fevereiro de 1995:
A comunidade consegue a primeira vitoria na guerra pela terra e deixa
o Sr. Henrique Jorge histérico. O superintendente da DPU ( Delegacia
Patrimônio da União) reconhece por escrito o direito do pescador
"Manoel do Turico" de construir a sua pequena casa de alvenaria a 60 metros
da praia, declarando que considerava esta área "presumivelmente
como terra da união" e negando qualquer direito de intervenção
do Henrique Jorge.
Agora sim, que os pescadores se animam, e com uma boa safra da lagosta
a preços bons sobra dinheiro para comprar tijolos e telhas. Os pescadores
confiam no direito dado pelo DPU.
04 de abril de 1995:
Mais de 500 homens e mulheres do litoral leste fazem a aliança
e criam o Fórum dos Pescadores do Litoral Leste. Há dois
anos da viagem S.O.S. Sobrevivência eles marcham até o Cambeba
para entregar a carta da Prainha do Canto Verde ao Governo do Estado, querem
que os pescadores sejam reconhecidos como gente e que se respeitasse os
seus direitos a pescar e morar no litoral. Finalmente é criado o
COMPESCE (Comitê de Pesca do Estado do Ceará).
25 de maio de 1995:
Desta vez os capangas chegam do poente, são entre 14 e 16 fortemente
armados. Sem piedade quebram os alicerces de duas casas e botam fogo
nos barracos de 2 famílias, ameaçando outra família
com a mulher gravida. Ameaçam de voltar se eles se atrevem
de reconstruir as casas derrubadas.
O ataque covarde vira manchete nos jornais de Fortaleza e entra na
pauto do programa de televisão "barra pesada". A policia federal
abre inquérito e o Procurador da Republica Dr. Oscar Costa Filho
convocou o Sr. Henrique Jorge e advogado para tomar conhecimento
da lei e de direitos humanos. Até as embaixadas do Brasil na Europa
recebam uma enxurrada de cartas de protesta de ONG's.
14 a 16 de julho de 1995:
A Associação dos Moradores da Prainha do Canto Verde,
o Instituto Terramar e o Fórum do Litoral organizam o I. Encontro
do Fórum do Litoral e do Fórum dos Pescadores do Litoral
Leste. Mais de 100 representantes de 30 organizações
e comunidades do litoral, deputados estaduais e os moradores da comunidade
discutam os problemas do uso sustentável do litoral e como enfrentar
a especulação imobiliária. O encontro também
serve para dar cobertura a um corajoso grupo de mutirão vindo de
muitas comunidades do litoral que ajudam a reconstruir as casas destruídas
pelas capangas da imobiliária. São três dias e duas
noites de lua clara e na 2a feira, 17 de julho as casas estão cobertas
e entregues as famílias. Entre os pedreiros e serventes voluntários
são 3 representantes dos Índios Tremembé. É
muita divulgação na imprensa e o Sr. Henrique Jorge resolve
dar uma trégua. O vigia entra de férias e de 1995 a
1999 mais de 15 casas de alvenaria são construídas na área
de conflito sem que haja ameaça alguma.
15 de maio de 1998:
A Associação dos Moradores da Prainha do Canto Verde
registra o pedido para regularização com o Governador do
Estado do Ceará Dr. Tasso Jerreissati e recebe o apoio do Senador
Lúcio Alcântara, Dom Aloísio Lorscheider, do Prefeito
de Beberibe Dr. Orlando Facó e o Embaixador da Suiça. O IDACE
(Instituto de Desenvolvimento da Agricultura) e o DPU aceitam o pedido.
O Prefeito de Beberibe se compromete de providenciar as foto aéreas
para que o DPU pudesse fazer a demarcação da terra da União.
Junho de 1999:
O Sr. Henrique Jorge chega a um acordo financeiro com os moradores
prejudicados no ataque de 1995, os capangas escapam mais uma vez por falta
de provas e cansaço dos moradores e testemunhas.
Agosto de 1999:
O excelentíssimo juiz de Beberibe Dr. Whosemberg finalmente
desengaveta a ação rescisória de 1989; ordena
a perícia e ouve as testemunhas para devolver o caso para a Justiça
superior.
Abril de 2000:
O Senhor Henrique Jorge de repente se lembra da Prainha do Canto Verde.
Contrata muita gente para plantar salsa e aguar as dunas
moveis entre a Prainha do Canto Verde e o Corrego do Sal. A tentativa de
fixar as dunas fracassa contra as forças da natureza e vira piada
entre os moradores. Deixe que ele gasta o seu dinheiro, assim pelo menos
distribui a riqueza.
Maio de 2000:
As visitas a Prainha do Canto Verde pelo Sr. Henrique Jorge agora se
fazem mais freqüentes, mostrando as belezas naturais para homens de
negócios; Manda plantar salsa nas dunas, irrigando com água
bombeado da lagoa do Corregó do Sal, o vento levou a salsa mas ele
deixou claro que a duna é dele e ganhou alguns aliados.
26 de junho de 2000:
As fotos aéreas do litoral de Beberibe finalmente foram recebidos
pelo Prefeito Orlando Facó e encaminhados ao Dr. Dantas, Superintendente
do DPU para que seja feita a demarcação da terra da união
e para que o Governo do Estado possa proceder com a regularização
da terra.
Agosto de 2000:
Os vigias e capangas são reativadas e começam a ameaçar
os moradores de forma velada e sutil. O bugre do Sr. Henrique Girão
(cunhado do Sr. Henrique Jorge) retoma as voltas da Caucaia. Os moradores
da Caucaia se sentem ameaçadas e pedem ajuda a Associação
dos Moradores.
A Associação dos Moradores informa o DPU com ofício
protocolado e solicita urgência na demarcação da terra
da união.
O Henrique Jorge está montando a estratégia para aterrorizar
os moradores:
Entra com pedido de licença de loteamento na SEMACE alegando
que o loteamento já estava autorizado pela Prefeitura. Aparentemente
o documento do Prefeito que em Fevereiro 1989 desautorizou o loteamento
desapareceu do cartório. O que o Sr. Henrique Jorge não sabe
é que a Associação dos Moradores da Prainha do Canto
Verde tem uma copia autenticada deste documento.
O vigia da Imobiliária na praia, o pescador Til, avisa aos moradores
que dentro de pouco tempo chegaria um trator para derrubar as casas que
estavam sendo construído na terra do "homem" e que em seguida o
terreno do "homem" estaria cercado.
O presidente da Associação dos Moradores, José
Alberto Ribeiro de Lima, e convocado para aparecer na Delegacia de Beberibe
a pedido do dono da Imobiliaria Henrique Jorge. Este, com pouca vergonha
conta as mentiras de sempre; o loteamento esta autorizado pela Prefeitura
e a SEMACE
e este povo esta invadindo a minha terra e eu vou impedir que
a minha terra seja invadida.
Na mesma tarde da conversa na delegacia o vigia já entra em
ação com um grupo de homens contratados medindo e colocando
paus para marcar o terreno a ser cercado.
4a feira, 08 de novembro chega o caminhão com as estacas de
cimento para a cerca que deverá mostrar para os moradores da Prainha
do Canto Verde quem é o dono da terra.
13 de novembro: em audiência convocado pela Promotora de
Justiça
o representante da Prefeitura aponta as irregularidades cometidos pela
Imobiliária Henrique Jorge em todos os loteamentos em Beberibe e
informa sobre a nova lei Municipal sobre o uso do solo que não agrada
a Henrique Jorge, este acusa os moradores de agir como o MST e de estarem
ocupando comercializando as terras dele. As três partes firmam
uma trégua até 13 de dezembro para que a Prefeitura possa
negociar um acordo. O acordo proibe qualquer atividade de construção
durante 30 dias.
Dezembro: Os moradores tomam conhecimento do parecer da Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Ceará totalmente favorável á ação rescisória dos moradores contra o usucapião.
13 de dezembro: Não há clima para uma acordo e os moradores querem que o embargo de obras seja levantado para permitir a construção de moradias e pedem a retirada das estacas irregulares (DERT exige distancia de segurança de 20 metros do meio fio da estrada) que ficam a menos de 7 metros. O novo acordo de trégua salvaguarda o direito humano dos nativos a moradia e autoriza a imobiliária de demarcar e cercar os lotes resguardando-se as vias públicas e as áreas verdes. Há um novo prazo para tentar um acordo até 13 de fevereiro 2001. A imobiliária deve 107 hectares de área verde e institucional para o Poder Público.
Presente posição da ação rescisória:
A ação rescisória com o no. 0000.10044-0 encontra-se
no
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ (CÂMARAS
REUNIDAS) com o relator e poderá ser julgado em 2001.
Processo de regularização da terra esta protocolado no
Gabinete do Governador com o numero: 1105/98 e encontra-se no IDACE
Processo da demarcação da Terra da União está protocolado com o numero dee ordem 976/00 no DPU-CE
Para as noticias sobre os eventos em 2001 clique
aqui