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CAPÍTULO
8
SEXO ON LINE E SEUS RISCOS
O
empreendimento mais lucrativo na Internet é a pornografia.
Pesquisas recentes apontam que o faturamento dos sites dedicados
ao sexo foi de cerca de US$ 1 bilhão e o número
de páginas neste estilo é cada vez maior. Diversas
pesquisas indicam que 40% dos internautas adultos visitam
sites pornográficos. Eles e elas variam de páginas
artesanais e rudimentares até grandes empresas produtoras
de imagem.
A rede do sexo eletrônico
possui vários esquemas de pagamentos. Respeitando as
normas para evitar que a criança visitem suas páginas,
adotam a cobrança através do cartão de
crédito. Em outros casos, os internautas são
fisgados com a oferta de acesso gratuito, mas acabam vendo
propaganda. O maior perigo é a atuação
de grupos inescrupulosos. Por exemplo: eles permitem que o
usuário, seduzido pelas ofertas grátis, entre
no site, do qual não consegue sair a menos que aceite
se tornar cliente.
Anonimato, solidão,
fantasia, privacidade, masoquismo e tara, são elementos
presentes na vida sexual dos chamados cyborgs. Eles e elas
são pessoas que utilizam o computador como prótese
e frequentemente se apresentam nas salas de bate-papo com
nicknames muito interessantes e sugestivos: Kon@n, B@tgirl,
Xot@, Pez@o, Aliens, Xup@-Cabra, Termin@tor, Florzinh@, KCT,
Zeus,T@radinha, @frodite, Bill G@tes, Ron@ldinho, V@mpiro,
Cleopatr@, Cent@uro, Gat@ -21 e outros(as), você encontra
nas salas de bate-papo do UOL, JB ONLINE E ZAZ . O fato é
que cresce sensivelmente o número de pessoas que namoram
e se masturbam pela Internet. Com uma mão o usuário
tecla com alguém numa sala de bate-papo qualquer, com
a outra mão, ele(a) faz carícias em sua própria
genitália. As fotos pornográficas ou eróticas
com adultos, adolescentes, crianças e cenas de zoofilia
também são objeto de gozo dos chamados "cyborgs".
O sexo virtual com ou sem
imagem, streap teases virtuais, transexualismo cibernético,
são temas e comportamentos presentes nas salas de bate-papo.
Os usuários destes serviços, experimentam uma
perda de inibição, devida ao ambiente anônimo
que o computador propicia. No cyberespaço uma pessoa
pode manifestar múltiplas personalidades. Isto não
significa dizer que ela tenha distúrbio de personalidades
múltiplas. Ela tem múltiplas personalidades
que se comunicam umas com as outras e formam sua "identidade
com multiplicidade", um ego inteiro.
Hamman(1996) afirma que a
teoria dos Cyborgs nos próximos anos, ainda deverá
ser objeto de estudo de muitos psicólogos. Ela tem
aspectos científicos, ficcionais, literários,
filosóficos, sociológicos e cinematográficos,
com o filme "Blade Runner - Caçador de Andróides".
Com esta nova forma de comunicação, tabus como
os contatos de fundo sexual vão se dissolvendo. Invisíveis,
as pessoas se permitem conversar, seduzir, trocar experiências
em áreas antes proibidas. É a descoberta de
uma nova forma de sexo seguro, onde adolescentes ensaiam os
primeiros contatos com o sexo oposto e adultos realizam fantasias
sem culpa. A palavra de ordem, principalmente entre adolescentes
é SEXO VIRTUAL. Esta nova forma de relacionamento se
traduz numa masturbação simples, com idealização
profunda do objeto, porém sem uma imagem concreta e
visual. A pessoa está livre para formar a imagem que
quiser, idealizando e podendo realizar um desejo sexual para
o qual nunca havia tido coragem e disposição.
Desta forma, uma nova realidade
está surgindo. A realidade imaginada-virtual. Que só
pode ser compreendida se lidarmos com a questão da
virtualidade, uma entidade complexa que participa de diferentes
maneiras na vida social e psicológica. Tenho dito e
repito : A próxima revolução sexual da
humanidade já esta acontecendo nas telas dos computadores
Pentium.Os cyborgs em multiplos selves estão surgindo
porque o sexo continua sendo um grande tabú em nossa
sociedade tecnologizada. A teoria dos cyborgs é humanística
e nos permite pensar sobre a sexualidade humana de forma bastante
abrangente. Ao invés de ampliar as comunidades virtuais
ou fazer cybersexo, as pessoas precisam melhorar a qualidade
de suas vidas no dia a dia. Em Washinghton D.C, no início
dos anos 90,uma dona de casa de 35 anos, Sharon Lopatka, foi
morta pelo programador de computadores Robert Glass. Ambos
se conheceram via e-mail e compartilhavam das mesmas preferências
sado-masoquistas. A fantasia da dona de casa era ser torturada
até a morte. Glass, foi o parceiro algoz da americana.
O psicopata foi encontrado porque o programa que enviara para
apagar e-mails não funcionou.
Outro caso ilustrativo de
sedução virtual, mas de final feliz aconteceu
no Brasil entre N@n@ e Heris . Ele morava em Porto Alegre,
ela em São Paulo. Se conheceram através do canal
IRC, trocaram fotos e resultado foi uma paixão avassaladora
. Marcaram encontro em São Paulo, namoraram alguns
meses e casaram em outubro de 1997. (Fonte: Internet World
Vol. 2, 19,"Sedução na Internet".
)
Esta revolução
sexual onde as fronteiras entre o homem e a máquina
fazem interface, esta apenas no começo. Recomendo aos
diletos leitores, a apreciação da tese de mestrado
de Robin B. Hamman defendida na Universidade de Essex, Colchester
- UK (1996). "CYBORGASMS: Cybersex Amongst Multiple-Selves
and Cyborgs in the Narrow-Bandwidt Space of America Online
Chat Rooms". Este sociólogo inglês desenvolveu
uma metodologia de pesquisa virtual muito bem estruturada,
apresentando diversos estudos de caso. Hemman realiza com
brilhantismo, uma etnografia do cyberespaço. Fácil
de achar com o mecanismo de busca ALTAVISTA.
A internet começa a
influenciar a maneira como diretores de cinema mostram a sexualidade.
O Festival de Cinema Independente de Sundance trouxe no ano
de 2002 ao público dois picantes exemplares de sexo
virtual nas telonas. "Teknolust" de Lynn Hershman
Leeson e "On_Line" de Jed Weintrob são dois
dos primeiros filmes longa-metragem a explorar o desejo mostrado
dentro de um "framework"(janela).
Dirigido por Jed Weintrob,
"On_Line" exibe uma cena de sexo vista por web cams
e simula um orgasmo simultâneo entre um casal a milhas
de distância um do outro. "On_Line é uma
história sobre pessoas se observando. Por meio de uma
web cam pode-se olhar, mas não se poder tocar. Quando
você experimentar vai se pegar fazendo sexo na internet
como se estivesse num banheiro de casa noturna, no mundo,
às vezes estranho e às vezes tocante das pessoas
que vivem sua vida on-line", diz o site do filme.
Já a cineasta Lynn
Hershman Leeson emprega as novas tecnologias e sua experiência
em vídeo arte para compor sua "luxúria
tecnológica". Em "Teknolust", um computador
humanóide, com DNA digitalizado, precisa de esperma
masculino para sobreviver. Argumento estranho até mesmo
para fãs do gênero. No Brasil, o sexo virtual
chegou à TV, mas como anunciante. Quem já viu
Monique Evans anunciando em seu programa "Noite Afora",
na Rede TV, seu principal patrocinador, um site de strip tease
virtual, o www.eucomvc.com.br, sabe disso.
Mas há quem ouse ainda
mais. Nos Estados Unidos, o site de sexo Nerve.com, anunciou
uma parceria com a HBO para um programa de TV, segundo o site
Blue Bus. O conhecimento psico-social obtido a partir do cyberespaço
pode ser utilizado para melhorar a vida sexual rea das pessoas
. As repressões sexuais às orientações
sexuais heterodoxas, o stress, a competição
e a solidão, são fatores que atuam na formação
dos chamados Cyborgs.
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