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SUMÁRIO

CYBER  LIVRO

ÍNDICE
O que é psicoterapia on line?
O papel do cyber pisicólogo.
O valor psicoterápico dos...
Como funciona o encontro online?
A psicoterapia online em paises...
Linguagem e emoção na internet.
O submundo digital.
Sexo online e seus riscos.
Netvicio & Lobotomia virtual.
Polêmicas do divã virtual na...
Bate-papo no divã virtual.
Confissões, desejos e segredos...
Sugestões para consultas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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CAPÍTULO 7

O SUBMUNDO DIGITAL

 

O submundo formado pelos hackers é, muitas vezes, condenado em todo o mundo. As inúmeras invasões promovidas em sites do governo e grandes instituições são vistas simplesmente como badernas digitais, busca de aventura e divertimento, em virtude dos prejuízos causados. Mas não procuram levantar suas verdadeiras origens. Certamente, uma porcentagem de hackers realiza tais invasões com o intuito da possibilidade de fama e realmente causam prejuízos à sociedade.

Para os autores do site digilalpeople.com.br, precisamos entender o contexto que levou a este tipo de ação e realizar uma verdadeira discussão sobre o assunto. Vale a pena, neste momento, transcrever um manifesto hacker anônimo que circula amplamente pela Internet.

“Todas as noites eu conecto com o intuito de poder desabafar o máximo, até me cansar para, então, o sono chegar e me levar para a cama. Tento imaginar o futuro todo santo dia e o único futuro que desejo observar é a solução para uma dor que me consome sem pressa para acabar. A solidão realmente gostou da minha pessoa. Gostou tanto que resolveu me visitar todas as noites. E sempre muito mal educada, pois chega, sem avisar, sem pressa para terminas suas pressões psicológicas. Mas a solidão não contava de encontrar um cara tão maluco como ela. Pois sou um hacker e a rede me trouxe felicidade. Felicidade de saber que não conseguira me fazer chorar de desgosto e cair em suas tentações e felicidades. A rede, com suas fantasias e mistério, que numa conectada me traz tesão, me faz ter desejo, me faz forte e quente, me faz chorar e rir, me faz ter vontade de correr, vontade de gritar, de amar, vontade de viver e esquecer tudo. É uma força que dificilmente conseguiríamos sozinhos, é um amigo para todos os problemas, é uma janela para o mundo quente, lento e misterioso. Todos têm o seu porquê, eu tenho o meu, e, com certeza, você deve ter o seu. Muitos acham isso uma loucura. Loucura é a minha vida Hacker!”

Pode-se perceber através desse manifesto, que o mundo hacker é uma forma de agir e de pensar. Não é um mundo tão irresponsável e inconseqüente quanto parece. É a possibilidade de expressar um sentimento, um desejo, até uma fúria contra as pressões do mundo atual. O governo e as grandes instituições, por mais que aumentem as restrições e a segurança em suas redes, não conseguirão deter a denominada tirania das comunidades hackers.

Na virada do século XX, o limite entre animais e seres humanos está se tornando indefinido e problemático. O mesmo acontece entre os seres humanos e as máquinas. O físico Stefhen Hawking é um exemplo radical de cyborg em carne e osso. Ele usa uma prótese tecnológica, não pode falar como o comum dos mortais, mas faz conferências com voz gerada por computador. Com a prótese tecnológica, ele estende sua vontade através dos limites da carne e da máquina. É neste ponto que o mito "Hawking", faz interface com o mito "Senna". Em outras pessoas, a prótese tecnológica pode ser uma calculadora HP, uma televisão, um vídeo, um computador, um aspirador de pó, um carro novo, um cigarro, um micro-ondas, um vibrador, uma motorcicleta e tantos outros objetos de desejo ou consumo. As mensagens eletrônicas que circulam na Internet sob a forma de “correntes” são todas falsas O E-mail sobre o menino que tem pouco tempo de vida também é falso. Essa história é comprovadamente tão velha que se o menino existisse e vivesse , ele provavelmente seria um senhor de idade. Assim é o submundo digital e precisamos conhece-lo.

São muitas as tribos que atuam no chamado submundo digital. Eles e Elas são chamados de Hackers, Crackers, Cyber-Punks, Lammers, Phreackers, Zoombies, Geeks, Mailbombers, Nerds e outras tribos e que invadem o www. Para uma etnografia do mundo virtual é necessário conhecer e frequentar estas tribos, seus códigos, idéias e metas.

O fato é que está havendo uma forte convergência entre o mundo físico e virtual. Esta tendência também acontece no plano das transgressões tecnológicas. O terrorismo digital já é uma realidade. Basta pesquisar o que tem sido feito e desfeito através do programa AOHELL. Este programa foi construido por um Hacker chamado DaChronic, ele avisa entretanto que aquilo é uma piada "joke", mas que o uso do programa poderá levar alguém para a cadeia - "You would go to jail for this..." . Isto vem acontecendo porque o mundo virtual é simbólico, binário, verdadeiro e falso. É uma representação metamórfica de informações . O mundo digital é mutante e aparentemente caótico. Tangente e eixo são conceitos geométricos relativos no cyber espaço. Lugar onde programas de computadores funcionam e dados transitam. Neste espaço de amplitude estreita seres humanos constróem novos significados para suas vidas cognitivas, afetivas e profissionais. Embora tenha base, corpo e vértice; a Internet com suas variadas comunidades virtuais não possuem estrutura piramidal. É por isso que muitas vezes, internautas novatos acham estranho e caótico bater-papo em salas virtuais. Com o recurso das salas de videoconferência este "caos na comunicação virtual" diminui em demasia.
No Brasil, não existe ainda legislação específica sobre crimes virtuais. De forma genérica a Constituição Federal de 1998 diz no capitulo I, artigo 5º, parágrafo XII que " é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no caso último, por ordem judicial (...)". Nos U.S.A,o joven Kevin Mitnik foi capturado em 1995 pelo FBI em Los Angels e está há dois anos cumprindo pena em San Diego – California, por roubar senhas de usuários de cartões de crédito e fraudar sistemas eletrônicos. Mark Abene já cumpriu um ano e meio de cadeia por invadir sistemas de telefonia. Hoje é consultor de segurança em redes e viaja pelo mundo dando palestras. Robert Moris há dez anos, infectou a internet com um vírus denominado "worm" (Tradução: Lumbriga,verme,saca-rolha, parafuso), que paralisava sistemas, causando prejuízos de milhões de dólares para empresas e usuários domésticos.
Não é muito difícil entrar no sistema operacional de um servidor, se o internauta apenas o examina, é geralmente classificado como hacker. Se copia informações, utilizando-as para fins ilícitos, ou destrói ou altera arquivos, é chamado de cracker ou pirata. O invasor habilidoso não deixa rastros. Para atingir seus objetivos, escolhe ou cria programas especiais que camuflam seu endereço de origem. O arquivos enviados pelos piratas cibernéticos invasores são chamados de "syn flood", que sujam os discos rígidos e torna mais lento o desempenho dos sistemas. O alvo preferido destes cyborgs trangressores são os servidores que utilizam o sistema Windows NT e Linux. A cyber caçada só está começando. Digo sito porque dentro de 10 anos deverá circular pelo mundo eletrônico mais de 1 trilhão de dólares !!! .
Os Hackers e Crackers americanos, canadenses, israelenses, alemães e japonezes, formam comunidades com alto nível de organização virtual. No último dia 13 de setembro de 1998, a Home page do jornal New York Times foi invadida por piratas que inseriram imagens de mulheres nuas e insultos. Os invasores que se identificaram com as siglas HGF- HACKING FOR GIRLIES, pediam a libertação de do gênio transgressor Kevin Mitnick.

O Times teve que desconectar seu site durante nove horas, em momentos em que a afluência era particularmente forte devido à divulgação na Internet do relatório Starr sobre o escândalo sexual envolvendo o Presidente Bill Clinton com a ex-estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky. Este ataque contra o New York Times deixa claro a fragilidade da segurança da rede mundial de computadores em um momento histórico em que governos, corporações, empresas e indivíduos dependem cada vez mais dela . A falta de segurança do mundo físico migra cada vez mais para o plano virtual.

Os hackers e crackers são as representações simbólicas de todos aqueles que estão fartos da submissão diante do poder, seja ele político, econômico ou cultural, que está instaurado no mundo até o momento. E a Internet possibilitou a expressão global deste sentimento através das invasões hackers e gerou um maior equilíbrio de poder. E este equilíbrio tem que existir! Se as ações dos hackers são veementemente condenadas, as ações ditatoriais do poder governamental e empresarial devem ser condenadas da mesma forma.

O bem e o mal, neste caso, se confundem em diferentes ações, realizadas por diferentes autores. Mas o bem e o mal (mais uma vez) se tornam relativos, se completam e demonstram como são essenciais para a existência humana. Seja no chamado mundo real, seja na internet.



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