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SUMÁRIO

CYBER  LIVRO

ÍNDICE
O que é psicoterapia on line?
O papel do cyber pisicólogo.
O valor psicoterápico dos...
Como funciona o encontro online?
A psicoterapia online em paises...
Linguagem e emoção na internet.
O submundo digital.
Sexo online e seus riscos.
Netvicio & Lobotomia virtual.
Polêmicas do divã virtual na...
Bate-papo no divã virtual.
Confissões, desejos e segredos...
Sugestões para consultas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





 

 

 

 

Página InicialSERVIÇOSCYBER LIVRO DIVÃ VITUALLINKSNA MÍDIAPESQUISAS


CAPÍTULO 5

A PSICOTERAPIA ON LINE EM PAÍSES COMO O BRASIL

 

Quem lançou o debate nacional sobre a psicoterapia on-line no Brasil, foi o jornal Folha de São Paulo em 16/03/97, no seu caderno Cotidiano, com a seguinte manchete: " Psicólogo cria Divã Virtual na Internet " . Naquele Domingo a Folha circulou com mais de um milhão de exemplares e eu era o tal psicólogo. O jornalísta Maurício Stycer é merecedor de crédito sobre este furo de reportagem.
Essa matéria da Folha de SP, foi o "start" que causou toda a polêmica instalada nos corredores de universidades, salas de aula, clinicas psicológicas, conselhos de psicologia, barzinhos e restaurantes. Três dias depois, a Rádio Gaúcha fez um debate comigo, com um psiquiatra de Porto Alegre, uma psicóloga gaúcha e uma representante do CRP-RGS . Em tal debate o radialista perguntava para os ouvintes responderem via telefone, a seguinte questão:- " Você faria terapia pela Internet ?". O programa teve alto índice de audiência e as entrevistas não pararam mais de acontecer. Sete anos depois já existem cerca de 70 psicoterapeutas online atuando no Brasil, com ou sem a “autorização” dos conselhos profissionais.
Alguns autores afirmam que a Internet foi feita para países como o Brasil. As características peculiares das novas estruturas comunicativas das redes de computadores e o aumento da velocidade que as transmissões vêm adquirindo a cada dia, encurtando as distâncias geográficas a ponto de torná-las insignificantes, estariam nos levando a um novo e abrangente processo de "desterritorialização".
Pierre Lévy considera esta "desterritorialização", como espaço do saber. A Internet criou um espaço alternativo de comunicação, livre da ingerência dos governos territoriais, que perderam o poder de determinar o que as pessoas devem estudar, o que fazer e pensar e a quem devem se associar. Dentro do ciberespaço, formam-se grupos auto-organizados, que realizam o ideal de democracia direta, sem necessidade de delegação de poder a representantes. As pessoas se relacionam cada vez mais de acordo com os seus interesses específicos, deixando de se identificar como deste ou daquele país; passam a ser integrantes desta ou daquela comunidade, cujos membros podem estar espalhados pelo mundo afora.
Pensamos que o cyberespaço é um lugar em nossos corações e mentes , sendo assim, ele deve ser tratado para fins legais como um lugar, separado do mundo tangível, o qual se alcança toda vez em que a pessoa se conecta à rede mundial de comunicação. Não devemos entendê-lo como simples meio de transmissão que facilita a troca de mensagens de uma localidade para outra. Aplicar leis de eficácia espacial (territorial) limitada às transações na Internet, ou mesmo tentar analisar as conseqüências legais delas como se fossem relações ocorridas em algum ponto geográfico em particular, é totalmente insatisfatório.
As comunicações eletrônicas deixam registros (e mesmo simultaneamente) através de diferentes jurisdições territoriais, não se podendo avaliar qual delas teria legitimidade para resolver os conflitos decorrentes e aplicar suas próprias leis. Com esse sentir, defendemos que os problemas surgidos com a comunicação eletrônica além das fronteiras territoriais podem ser resolvidos através de um princípio simples: concebendo o cyberspace como um lugar distinto do mundo real.
Diversos autores vão além, Eles admitem a possibilidade de um set diferenciado de normas para cada uma das várias áreas do cyberspace. Enquanto um bom número de regras e princípios que formam o âmago de sistema de normas são aplicáveis indistintamente a todo o mundo virtual, outros padrões e preceitos são exclusivos a áreas restritas. A busca de um sistema de leis distinto para a esfera on line não pode desconsiderar a existência um espaços não uniformes. Mesmo no "on line world", a homogeneidade não é a regra, e nele encontramos diversos segmentos da realidade virtual. A Internet tem outros tipos de fronteiras internas, delineando variadas e distintas localidades virtuais. Por exemplo, dentro do cyberspace encontramos áreas reservadas para newsgroups, distintas das salas de chat, distintas por sua vez de uma lista de discussão, todas acessadas e utilizadas por meio de diferentes métodos conexão, senhas, programas e, em alguns casos, mediante a exigência do pagamento de taxas. Esses diferentes requisitos de acesso criam uma separação entre os espaços subsidiários ou esferas de atividade existentes no cyberspace, criando barreiras internas ao fluxo da informação. A existência de diferentes lugares ou sub-áreas virtuais justifica a criação de diferentes conjuntos de princípios e regras para cada um deles. Uma ação tida como válida e aceita em uma área pode ser banida em outra, onde predominam diferentes padrões de conduta. Da mesma forma, a existência de fronteiras internas no cyberspace justificaria a existência de diferentes entidades responsáveis pela aplicação das leis. Uma entidade que resolve uma disputa numa área pode não ser a mesma que detém poder para fazer valer sua autoridade em outra.
O mundo em que vivemos é feito de constantes mudanças. Um mundo feito de pessoas, de coisas e de aparências. Ele é multimídia, real, virtual e mutante. A cada dia, torna-se mais difícil acompanhar e absorver no plano mental o volume de informações que trafegam na chamada "Aldeia Global". Em grande parte isto está acontecendo devido à rapidez com que as mudanças acontecem e à crescente dificuldade de se ter idéias e modelos que abalizem as totalidades de significações que estas mudanças contemporâneas representam no campo da subjetividade para nós e para as futuras gerações. A lógica cartesiana é incapaz de entender como as informações e emoções em uma cultura globalizada, leva as sociededes de volta às tribos. Dentro do ciberespaço, formam-se grupos auto-organizados, que realizam o ideal de democracia direta, sem necessidade de delegação de poder a representantes. As pessoas se relacionam cada vez mais de acordo com os seus interesses específicos, deixando de se identificar como deste ou daquele país; passam a ser integrantes desta ou daquela comunidade, cujos membros podem estar espalhados pelo mundo afora. Esse fenômeno, inclusive, já começa a ser denominado por alguns pensadores e filósofos como o "neomedievalismo", numa alusão à organização social da Europa medieval, onde o poder político e a autoridade não eram geograficamente definidos.
Abre-se, portanto, um desafio à psicologia online no Brasil, a ciência que estuda, analisa e interpreta o comportamento humano virtual na Internet e em outras mídias que vierem a surgir. Estamos todos sujeitos, à complexidade de contínuas e profundas transformações sociais, políticas, comportamentais, ducacionais, juridicas, que o chamado "pós-moderno" nos apresenta. O "Divã Virtual" não é uma negação do "Divã Real", pois quando passamos diante de um espelho, nossa imagem reflete aquilo que somos de fato.
Do ponto de vista histórico, em 1900 Max Planck promoveu o início da revolução na física moderna enunciando a teoria dos quanta. Quanta é uma palavra latina, plural de "quantum". Os "quanta" são pacotes de energia associados a radiações eletromagnéticas. Planck, prêmio Nóbel de física em 1918, descobriu que a emissão da radiação é feita por pequenos blocos ou "pacotes" de energia descontínuos. Com o progresso, a física já não conseguia definir, nem mesmo abranger, todas as propriedades gerais da matéria. Em função disto, utiliza-se a denominação ciências físicas compreendendo diversas e importantes áreas da física, entre estas, a física quântica e a física nuclear.
Também em 1900, Sigmund Freud lançava "A interpretação dos Sonhos" . Livro que que foi o alicerce de toda a teoria psicanalitica e do modelo psico-dinâmico. Neste texto Freud afirma que
" Os sonhos são a estrada real que nos conduz ao inconsciente". Para a ciência de sua época, os sonhos eram "o lixo do pensamento humano". Em 1905, Albert Einstein enunciou a teoria da relatividade cujo resultado foi a destronização do pensamento mecanicista positivista (materialista) e a introdução de novas concepções que, em muitos aspectos, aproximam-se da metafísica e da visão espiritualista do budismo. No mesmo ano Freud publicava "Chistes e sua relação com o inconsciente". Posteriormente em 1909, publica o "Caso do Pequeno Hans" em que fez atendimento baseado em cartas escritas pelo pai do menino e de desenhos feitos pelo próprio Hans .
Os fenômenos advindos das descobertas da física nuclear, desde a transformação da matéria em energia aos demais fenômenos decorrentes, exigiram o aparecimento de novas concepções físicas. Surgiu, então, a mecânica quântica, que tem por finalidade investigar a dualidade onda-corpúsculo ou matéria e energia.
Tornou-se evidente, para as ciências físicas, que determinados fenômenos ocorrem pelo fato da matéria em determinados momentos se expressar como onda e em outros como corpúsculo; ora é energia ora é matéria densa. Assim a natureza ondulatória da luz explicaria a propagação das ondas de Raio X enquanto que a natureza corpuscular desta mesma luz explicaria os fenômenos do efeito fotoelétrico.
Em função das descobertas de Max Planck e, sobretudo, a partir da teoria da relatividade de Einstein, o universo que vivemos deixa de ser tridimensional (comprimento, largura e altura), passando a apresentar outras possibilidades de dimensões, não detectadas pelos sentidos físicos, bem como outras possibilidades de concepção de tempo.
A realidade fundamental das nossas dimensões, conforme o modelo quântico, é desenhado como "um tapete de espuma espalhada sobre uma superfície ligeiramente ondulada e com bolhas ", onde as constantes mudanças microscópicas na espuma eqüivalem as flutuações quânticas. As bolhas de espuma, são formadas pelos mini-buracos negros e mini-buracos brancos os quais surgem e desaparecem (como bolhas de espuma de sabão) na geometria do "continuum espaço-tempo". Os mencionados mini-buracos negros e brancos seriam, portanto, portas para outras dimensões do universo.
O físico Johann Carl Friedrich Zollner, aborda com muita propriedade os temas da quarta dimensão e hiperespaço, referindo-se às experiências realizadas em Leipzig, Alemanha. Zollner e muitos físicos defendem a tese da possibilidade de um objeto efetuar a passagem para outra dimensão, desaparecendo dos olhos do observador e retornar as dimensões convencionais voltando a ser percebido pelos órgãos visuais. – A troca de Emails e os encontros eletrônicos funcionam com base nestes princípios. A trasmutação de "corpos" no hiper-espaço é uma mas maiores descobertas científicas do século XX. - Isto é um fato. Sendo assim, também é totalmente possível realizar atendimentos em saúde mental mediados por tecnologia com o advento da rede mundial de computadores. Afinal o que é o cyberespaço ? - A distância entre nossos terminais de computação ou um lugar onde nossas mentes se encontram ?
No cyberespaço as pessoas experimentam um alto grau de excitação emocional e cognitiva. O Hiper-espaço é um lugar ultra psicológico. Para o psicólogo americano T. Leary, a Internet é uma mídia Lisérgica. - Ou seja: Com a Internet, as pessoas podem obter significativos "insights" sobre sí mesmas ou até mesmo alcançar estados alterados de consciência.
A telemática ou teleinformática é uma área das ciências da informação que dedica-se especialmente ao estudo das técnicas de controle de erro e suas aplicações aos sistemas de comunicação de dados. Com fundamento na teoria da informação e de codificação, estudam-se e desenvolvem-se algoritmos de codificação/ decodificação para sistemas que empregam modulação codificada, técnicas de criptografia, técnicas de controle de erro para diferentes sistemas de armazenamento da informação, compactação de dados, criptografia, software para simulação e análise de sistemas de comunicação de dados e outros. Os projetos em telemática são desenvolvidos de modo integrado com outras áreas de pesquisa correlacionadas. Vários trabalhos têm sido apresentados em eventos de caráter nacional e internacional, visando maior intercâmbio com a comunidade científica nesta área.
O modelo proposto pelos físicos resulta do fato dos mesmos, assim como os mestres do oriente, terem chegado a mesma conclusão: A matéria em sua constituição básica é simplesmente uma ilusão, ou MAYA, como dizem os budistas. A aparente substancialidade da matéria decorre do movimento relativo criador de formas.
Se a matéria é uma ilusão, certamente, há de existir algo que seja transcedente a esta matéria e seja mais real que a ilusão. Se o homem digital é um ser de relação, sujeito a contínuas mudanças e adaptações na sua luta por ocupar, a cada momento, o espaço que lhe compete no mundo, e se, ao mesmo tempo, ele é o sujeito e o objeto do estudo da psicologia online, segue-se que qualquer sistema ou código só será real se sujeito, também ele, a esta transitoriedade que é própria da humanidade à procura de seu destino e significação.
Dentro desta perspectiva, propor um código de ética e cyber-ética no Brasil, é colocar-se, de um lado, numa reflexão constante sobre o humano como sujeito de mudanças reais e virtuais e, do outro lado, cristalizar normas,respostas de comportamento e ações; que, por sua natureza. são altamente dinâmicas e complexas.
Um código de ética e cyber-ética sobre psicoterapia online deve expressar, de um lado, a dinamicidade própria da liberdade, do risco e da criação humana e, de outro lado, mostrar um conjunto de ações, sugestões, dicas e comportamentos que sejam representativos das realidades e das virtualidades diárias, com as quais homens e mulheres e jovens se põem diariamente em contato no chamado "universo on-line".
O Código, portanto, deve nascer de três fontes: da realidade, da telemática, e do desejo. Da realidade, enquanto calcado no que existe, no que está aí,na prática das pessoas, no agir permanente dos que fazem psicologia online. Da telemática enquanto ciência de apoio, a ponte para o conhecimento de novas dimensões do ser; do desejo, enquanto a psicólogos e profissionais de saúde mental online revelamos nossa preocupação com o amanhã e o impacto da telemática nas releções humanas, nos indivíduos, nos grupos e na sociedade em geral.
O Código de cyber-ética deve ser a expressão da identidade profissional daqueles que nele vão buscar inspirações, conselhos e normas de conduta. Ele é, ao mesmo tempo, uma pergunta e uma resposta. É um "Oráculo" no sentido de se ver o ser humano não apenas como uma unidade isolada, mas como um subsistema de um grande sistema social, político e tecnológico, que lhe confere o selo de sua identidade nos planos digital e real : "Se eu Me logo, logo existo". Bill Gates chama este fenômeno de "Sistema Nervoso Digital".
Não é, entretanto, só o Código que confere identidade ao psicólogo online, mas sim sua participação na pesquisa e atuação constante sobre os problemas fundamentais do mundo contemporâneo, sobretudo através do seu engajamento em propostas concretas de uma visão aberta do mundo voltada para o social e o político e as novas tecnologias. É uma Cyber-ética filosófica que apela para a reflexão, para uma compreensão das singularidades; é ela que faz um apelo à criatividade, à liberdade, à espontaneidade e ao sigilo profissional online . É ela que faz o profissional online ver seu cliente como pessoa e como um ser digital.
Nesta visão de totalidade existencial - filosófica – tecnológica é que os profissionais em saúde mental online deve abrir as janelas da suas mentes para ver o mundo como uma realidade global e percamos com isso a mesquinhez de só ver o indivíduo no seu plano físico e materialista.
A Internet não deve ser mitificada, mas existe uma é uma revolução técnica e cultural de grandes proporções em andamento. Esta proposta é um convite a uma reflexão mais ampla e aberta; ela não quer ser estática, mas ultra dinâmica, como de resto, é dinâmica a vida e a sua expressão mais alta e mais bela: o ser humano.
Nossas propostas expressam, assim, um hoje de nossas esperanças e pensamentos. Também eles, sujeitos às leis da mudança, devem estar abertos a reflexões que os atualizem continuamente. A Psicologia Online no Brasil é um tema estratégico. Isto é um fato.
No futuro breve serão muito comums os atendimentos psicológicos online mediados por tecnologia. Isto é outro fato científico. Se os psicólogos brasileiros e profissionais em saúde mental não acordarem para o tema, ou se houver negligência no trato do "Divã Virtual"; nos próximos anos seremos novamente invadidos pelos portugueses. Suas naus serão feitas então, não mais de madeiras, pregos e velas, mas de muitos "Gygabytes".



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