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CAPÍTULO
10
POLÊMICAS DO DIVÃ
VIRTUAL NA MÍDIA
DEU
NO JORNA DA TRADE (Out/98)
“Divã virtual, a novidade no atendimento psicológico”
Você se sente deprimido, angustiado
, fóbico ou em pânico?
Entre na Internet e consulte um analista. Esta é a
nova moda no aconselhamento psicológico.
Por Erika Corrêa e Maria Elisa Arruk,
especial para o JT (resumido com adaptações).
Divã virtual e ajuda online no
Brasil.
Na onda das novas técnicas
estão a orientação, o aconselhamento
psicológico e a psicoterapia individual e de grupo
on-line, onde o consultório (divã) é
substituído pela rede da Internet. Segundo a Associação
Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações
da Rede Internet -Abranet, até dezembro de 2002 seremos
cerca de 20 milhões de pessoas conectadas à
rede no Brasil. Psicanalistas e psicólogos tentam adequar-se
a este espaço virtual.
As formas mais comuns de atendimento
on-line são por meio de correio eletrônico (e-mail)
e salas de bate papo (chats). No e-mail, a pessoa manda uma
mensagem ao psicólogo contando os seus problemas e
espera pela resposta. Cada mensagem custa em média
12,00 reais. Um conjunto de Dez Emails, que equivalem a 10
sessões , pode custar 120,00 reais.
Nas salas de bate papo, o
paciente e o profissional conversam em tempo real reservadamente
em uma sala de chat. Nesse caso, o preço médio
é entre de 2,00 e 5 reais por minuto. Além do
depósito em conta corrente bancária, o pagamento
pode ser feito sem sair de casa: por meio do cartão
de crédito.
Nos atendimentos convencionais,
o trânsito, problemas no carro, a violência urbana
e inconvenientes como a chuva ou o calor, são pretextos
para o paciente não ir à sessão. Pelo
computador, ele não tem tantos obstáculos e
as resistências são expressas no consultório
virtual, melhorando o processo psicoterápico. Na década
de 30, psicoterapeutas e pacientes atravessavam quilômetros
de distância para ter uma breve conversa com o ilustre
Sigmund Freud.
No entanto, a ausência
de contato direto (cara a cara) é vista por grande
parte dos pisicólocos como uma anti-análise.
"A psicoterapia está na contramão dessa
desumanização. É um trabalho artesanal
fundamentado na relação entre duas pessoas.
A tela causa uma assepsia da relação",
diz Carmen Mion psicanalista da Associação Brasileira
de Psicanálise (ABP). Os críticos dizem que
as reações físicas e sonoras, percebidas
durante o processo psicanalítico tradicional, é
apontada como problemas do serviço on-line. No entanto,
a evolução da tecnologia está permitindo
ultrapassar essa barreira. O choro, o riso, as alterações
da voz podem ser captados por pequenas câmaras de vídeo
e fones acoplados ao computador.
A escrita também está
carregada de símbolos, chistes, lapsos, importantes
ao processo psicanalítico. "O comportamento, as
atitudes, sentimentos podem ser decodificados via rede de
computadores", diz o psicólogo Marcelo Salgado,
especializado em psicologia social e psico-informática,
que também atende virtualmente. O Conselho Regional
de Psicologia de São Paulo não aprova a psicoterapia
on-line. "Ainda estamos estudando a eficácia desse
método, e não atestamos sua qualidade",
diz Rachel Alvim, presidente da Comissão de Ética
do Conselho. Se ocorrer denúncia de pacientes que se
sintam lesados por esse serviço, o Conselho apura e
levanta um processo ético administrativo. As punições
são multas e suspensão da atividade profissional
por até quatro anos. As orientações e
aconselhamentos pela Internet são permitidos. A proibição
é para a psicoterapia virtual. Segundo Rachel, esse
serviço estimula o paciente a fantasiar sua identidade.
"Tanto o analista como
o paciente podem enganar ou induzir o outro com facilidade
na tela", comenta. Há também reservas à
falta de sigilo nas conversas e à cobrança por
esses serviços. "Ainda estamos estudando esse
processo cientificamente, por isso orientamos que quem atende
pela Internet não deve cobrar", afirma Rachel.
Para Salgado, se o serviço
não for pago a margem de erro aumenta. "O cliente
poderá brincar com o atendimento", diz. Ele
também acredita que o serviço on-line é
um forma de popularizar a psicoterapia. "Os métodos
tradicionais são caros e elitistas, só atendem
a poucas pessoas", fala.
De qualquer forma, para utilizar
a psicoterapia on-line é preciso mexer nos bolsos.
Fora o preço da consulta, o interessado necessita ter
ou comprar um computador e pagar pelo acesso à Internet.
Se quiser acoplar uma vídeo câmera, os gastos
aumentam. E é bom estar atento ao congestionamento
e à lentidão no acesso à rede. Pode ocorrer,
por exemplo, a queda da linha durante uma sessão.
Desde a década de 60,
muito antes da psicologia pensar em invadir o mundo virtual
e surgir um plantão psicológico particular,
o telefone vem servindo como um meio de socorro às
pessoas que passam por um momento de sofrimento. Quem nunca
ouviu falar no CVV – Centro de Valorização da
Vida?
"QUE TAL UMA SESSÃO ON LINE?"
Por DAGOMIR MARQUEZI (texto extraído da Revista Info
Exame nº157 Abril/99)©
Boa parte de nossa psique
vagueia no cyberspace. Será que os terapeutas já
se deram conta disso? NÃO CONSIGO CONVENCER minha terapeuta
de que existe uma conspiração real contra minha
pessoa, conspiração esta tão vasta que
envolve a própria terapeuta sem que ela saiba. Mas
consegui provar para ela que quem não tem um computador
ligado à Internet virou uma ilha. Ela resistiu um tempo,
mas depois descobriu que não há paciente ou
colega que já não estejam navegando e meio obcecados
por simuladores e downloads. Exemplos não faltam. Uma
paciente dela, figura inteligente e bonita, bem informada,
cheia de vida, arranjou um pretendente num chat e agora ele
quer encontrá-la ao vivo. Ela adoraria, mas há
um detalhe nessa love story: a mocinha declarou ao interessado
que está "um pouco acima do peso". Na verdade,
passou dos 120 quilos. E agora? Ninguém previu uma
situação dessas. Hoje em dia boa parte de nossa
psique vagueia nessa teia sem fim do cyberspace. O mundo mudou,
nós mudamos, e nossos terapeutas precisam se preparar
para esse novo mundo. Afinal, computadores e psicoterapias
parecem ter sido feitos um para o outro. A revista Veja publicou
(em 17 de março) uma reportagem sobre os "psicólogos
online". Como sempre, os cooperativistas e conservadores
reagiram com uma mistura conhecida: medo e inveja. Se agarram
aos dogmas de Sigmund Freud, que não pode se defender,
pois não tinha um Notebook no consultório e
sua Viena dos anos 20 ainda não estava ligada à
Internet. Como supor de que forma ele reagiria a algo que
não conheceu? Na história dos computadores existiu
inclusive uma doutora chamada "Eliza". Isso no final
dos anos 60! Na verdade tratava-se de um "simulador de
psicólogo", num programa desenvolvido no Massachusetts
Institute of Technology pelo professor Joseph Weizenbaum.
Eliza basicamente pedia ao "paciente" que falasse
o que viesse à cabeça e devolvia algumas palavras
citadas para que o "humano" refletisse a respeito.
Aparentemente, Eliza seguia as regras do freudianismo ortodoxo.
Se o usuário digitasse a palavra "pai", Eliza
devolveria uma "fale-me mais sobre seu pai". Foi
considerado um programa que provava na prática o quanto
é fácil uma máquina fingir que é
inteligente. De 1966 para cá, tudo mudou. Novos e fascinantes
caminhos podem ser tentados com mais imaginação
e menos preconceito. Qualquer profissional de qualquer área
não tem outro caminho a não ser ver o computador
como um instrumento, e não como um possível
rival. Quanto antes se tocar disso, melhor. O que não
pode acontecer é que todo o tratamento se processe
exclusivamente online. O equilíbrio é uma simples
questão de bom senso. Um exemplo? Alguns institutos
de saúde de primeira linha (especialmente nos Estados
Unidos) aceitam pacientes vindo, teoricamente, de qualquer
parte do mundo. O paciente é operado e logo está
de volta para a Austrália, por exemplo, com sensores
que controlam seus sinais vitais e os transmitem via linha
telefônica para os monitores no hospital em Houston,
Zurique ou Toronto.
"Conselho rejeita
prática de terapia on line"
Thaigo Stivaletti
Jornal Folha de São Paulo - 02/05/1999©
O CFP (conselho federal de
psicologia) deve emitir nos próximos meses resolução
em que não reconhece os atendimentos psicológicos
feitos pela Internet como prática profissional de seus
associados. Segundo Ana Maria Mercês Bock, presidente
do CFP, não há estudos concretos sobre a eficácia
da psicoterapia on line. "O cliente deve estar ciente
de que está realizando um trabalho experimental, e
que portanto não deve ser cobrado." Bock afirma
que os psicólogos que oferecem o serviço estão
sendo orientados pelo conselho. "Se eles insistirem na
cobrança, pode-se abrir um processo ao CFP para cassar
seus registros". A Presidente do Conselho diz que existem
aspectos negativos da psicoterapia on line que devem ser estudados,
como o risco da quebra de sigilo, a questão da escrita
como meio para o paciente expressar suas emoções
e as interrupções na conexão à
Rede. Os psicólogos que trabalham com o serviço
destacam as novas premissas do tratamento dado aos pacientes
virtuais.
Marcelo Salgado, psicólogo de Fortaleza, oferece em
seu site, psicoterapia por e-mail (R$ 12,00 por resposta),
dinâmica de grupo em sala de bate-papo (R$ 2,00 por
minuto) e videoconferência (R$ 2,50 por minuto). Segundo
ele, seu trabalho tem base nos modelos quântico e telemático,
que prevê o novo modelo de homem digital e a técnica
de atendimento pelo texto. "Há 30 anos são
feitos estudos no EUA. Aqui o CFP nem abriu uma comissão
para analisar as técnicas." Salgado enumera as
vantagens do atendimento pela Internet. "Podemos atender
pessoas de áreas onde não existem psicólogos.
O cliente não chega atrasado e se sente mais confortável
para abordar assuntos delicados." Fátima Ferreira,
psicóloga carioca que trabalha no atendimento on line
desde 96 e hoje conta com uma equipe de quatro pessoas, prepara
uma pesquisa para entregar até julho no CFP. Ela cobra
R$ 55 por uma sessão de 50 minutos na sala de bate-papo
de seu site. "Nosso trabalho é de aconselhamento.
Sempre que necessário, encaminhamos os pacientes para
o consultório, diz. Márcia Homem de Mello, psicóloga
de Recife, que anuncia em sua página sessões
por e-mail e ICQ ( bate-papo fechado), cancelou seu registro
no Conselho Regional de Recife. "Fui acusada de exercício
ilegal da minha profissão, mas não tive nenhuma
chance de explicar meu trabalho", diz. O psicólogo
Mário Bruço, que não trabalha na Internet,
enfatiza a necessidade de controle sobre os psicólogos
on line.
Casos Têm Resultado
Positivo
Dois experimentos clínicos mostram que o tratamento
psicológico mediado por computador pode tornar-se uma
ferramenta para psicólogos e psiquiatras. Em Glasgow
(Escócia), uma clínica tratou de 26 pacientes
que apresentavam ansiedade excessiva e disturbios emocionais
com um CD-ROM desenvolvido por seus psiquiatras. O programa,
conhecido como STRESSPAC, ensina sobre ansiedade e problemas
associados a ela, como pânico, fobias e insônia.
Por meio de questões, o paciente formula seu próprio
tratamento. Depois de seis meses, todos os pacientes apresentavam
melhora, e a recuperação de 50% deles foi considerada
"significativa". Mais de 75 % afirmaram que recomendariam
o atendimento por computador para outras pessoas. No Hospital
das Clínicas de São Paulo, uma experiência
conduzida há um ano pelo psiquiatra Luiz Armando Araújo
consiste no tratamento de dez pacientes com um programa desenvolvido
pelo próprio psiquiatra e disponível na Internet,
cujo o método é semelhante ao da clínica
escocesa. Araújo diz que, embora a experiência
só seja concluída no final do ano, os pacientes
estão apresentando resultados semelhantes: 65% a 80%
de melhora. O próximo passo é verificar os resultados
de um abandono do tratamento nos dois casos.
Técnicas da terapia
on-line causam polêmica
Pelo chat, o profissional não consegue ouvir o paciente,
o que pode prejudicar a consulta
Por: "ANGELA TRABBOLD Especial para o Estado 27/11/2000
O cidadão que usa a
Internet para fazer desde transações bancárias
até sexuais, pode confiar nela para uma terapia mental?
Até agora, há um certo consenso de que não
se pode resolver todos os conflitos num bate-papo eletrônico.
"O paciente pode até se sentir mais à vontade
para falar sobre suas inseguranças e pecados longe
dos olhos do terapeuta, mas na hora de uma crise falta um
respaldo mais consistente que só a terapia convencional
pode dar", afirma a psicóloga e escritora paulista
Luiza Cristina Ricotta. Por prevenção, os terapeutas
virtuais não atendem pacientes em crise, com depressão
grave ou com tendência ao suicídio. Os críticos
acreditam que o atendimento on-line só é válido
no caso de orientação ou de suporte a grupos,
como um fórum de discussão que permita a troca
de experiência entre pessoas com o mesmo tipo de problema.
Fora disso, o profissional estaria enganando seus clientes
porque jamais poderia estabelecer um verdadeiro vínculo
terapêutico. Polêmica - A questão central,
que divide os terapeutas, refere-se à aplicação
das técnicas terapêuticas em um meio completamente
diferente do ambiente do consultório. "Na comunicação
virtual, feita por chat ou e-mail, o terapeuta não
pode ver nem ouvir o paciente, o que compromete a interpretação
dos signos e, conseqüentemente, torna a técnica
tradicional inadequada", diz o psicólogo e conselheiro
no Conselho Federal de Psicologia, Marcos Vinícius
de Oliveira e Silva. A psicóloga Luiza Cristina Ricotta
tem a mesma opinião. "O texto, quando visto isoladamente,
pode levar a interpretações distorcidas. Ao
escrever, o paciente pode mostrar segurança, mas no
íntimo está apavorado." Os adeptos da terapia
on-line acham que todas essas limitações podem
ser contornadas. Basta que o terapeuta esteja sintonizado
com a linguagem da comunicação virtual. "É
muito comum um paciente ter um ato falho, digitando palavras
com grafia errada", explica a psicóloga Márcia
Homem de Mello, de Recife, que preside a Associação
Brasileira dos Profissionais de Saúde Mental On-line
e atende via Internet desde 1996. Márcia acredita,
com base na experiência empírica, que é
possível adequar a técnica tradicional ao meio
virtual. "O psicodrama virtual é tão intenso
quanto o real; os pacientes interpretam os papéis contando
sua história por escrito", diz. Quanto à
possibilidade do texto ter seu significado deturpado, ela
lembra que esse risco não é exclusivo do atendimento
virtual. "Além disso, a Internet oferece outros
meios para o paciente transmitir seus sentimentos,como os
recursos do chat, que permitem usar desenhos com expressões
de tristeza, alegria ou raiva." Márcia acredita
que os progressos nessa área são reais, "tanto
que alguns dos meus pacientes já estão em processo
de alta", conta.
A psicanalista carioca Lazir
de Carvalho dos Santos, outra adepta do atendimento on-line,
vai além e afirma que a análise virtual dá
mais resultados do que a convencional. Ela fez um estudo com
12 pacientes virtuais e chegou à conclusão que
70% tiveram melhora. Na sua avaliação, eles
foram mais abertos e faltaram menos às sessões
do que os pacientes atendidos em consultório. "Constatei
que é possível detectar atos falhos, transferência
e outros mecanismos inconscientes pela comunicação
virtual." Por causa disso, Lazir agora leciona psicanálise
virtual na Universidade de Brasília. Freudiana de carteirinha,
Lazir acha que se as expressões do rosto fossem tão
imprescindíveis, os analistas não colocariam
os pacientes deitados no divã.(...)
(Continuação
materia)Terapia on-line cresce apesar de dúvidas
Prática está liberada apenas em caráter
experimental e os resultados são polêmicos
As mudanças de comportamento provocadas pela Internet
já chegaram ao divã. Depois do e-business, namoro
e sexo virtual, a novidade que está se espalhando pela
rede é a terapia on-line. Na Europa e nos Estados Unidos,
milhares de pessoas estão trocando a psicoterapia convencional
por uma sessão feita por chat, e-mail ou videoconferência.
Nos EUA o atendimento on-line é uma prática
comum há cinco anos e já existem cerca de 200
sites que oferecem acesso ao serviço de centenas de
psicólogos e analistas. Eles são precursores
em um tipo de atendimento que causa polêmica pelo fato
de haver poucos estudos que comprovem sua eficácia.
Mesmo assim, os terapeutas norte-americanos contam com um
respaldo ético e legal das associações
de classe, como a American Psychological Association.
"O Preço da
terapia on-line"
Por: Márcia Cezimbra - Jornal O Globo - em parceria
com outros jornais, publicou também a matéria
no Jornal do Comércio de Recife e no Jornal de Manaus
© - 16/04/00
Você está desamparado?
Quer um colo de mãe que o ajude a juntar os pedaços
do eu interior? Basta fazer um depósito de R$ 20 a
R$ 80 na conta bancária de um psicoterapeuta on-line
para obter uma sessão num chat, o divã da Internet,
tão virtual quanto as fantasias de felicidade plena.
A existência de dezenas de sites de psicólogos,
psicanalistas, terapeutas familiares e de grupo oferecendo
atendimento on-line para desamparados, deprimidos, angustiados,
histéricos ou obsessivos revoltou os profissionais
off-line e instituições oficiais. O Conselho
Federal de Psicologia, por exemplo, elaborou este mês
uma resolução proibindo a cobrança de
honorários on-line, cujo atendimento só pode
ser feito a título de pesquisa. O presidente do Conselho
Regional de Psicologia do Rio, Carlos Absalão de Souza,
advertiu que os associados que insistirem na cobrança
de honorários poderão sofrer punições
de advertência à perda do registro.
“A polêmica das consultas
: OS PRÓS”
ACESSO FÁCIL: Dias chuvosos, falta de tempo, consultório
longe de casa e do trabalho, cidade pequena nas quais ir a
um psicólogo significa sofrer dos mais misteriosos
desequilíbrios tornam mais difícil a conquista
dos benefícios da terapia. O acesso fácil é
uma das primeiras vantagens do atendimento on-line.
RESIDENTES NO EXTERIOR: Os que moram fora do Brasil e falam
mal outra língua para expressar suas emoções
são beneficiados pelo atendimento via Internet, segundo
os terapeutas on-line. A possibilidade de desabafar no mesmo
idioma pode aliviar muitas aflições.
DEFICIENTES FÍSICOS: Os que não podem se locomover
temporária ou definitivamente e os surdos-mudos têm
no atendimento on-line, segundo os psicoterapeutas, uma possibilidade
de melhora que não é acessível através
de terapias convencionais.
TÍMIDOS E RETRAÍDOS: Estes são a maioria
dos clientes on-line. Gente que não consegue olhar
nos olhos de alguém, admitir seu próprio sofrimento
e pedir ajuda a outro ser humano procura o anonimato da Internet
para se defender de suas próprias inibições.
Segundo os psicanalistas, a terapia on-line traz benefícios
a estes pacientes.
OS CONTRAS
CONTATO INVISÍVEL: Para Marlene Dias da Silva, não
se pode confiar em alguém que não se pode ver,
reagir, sentir, discutir, se expressar, atingir.
RISCO DE CHARLATÕES: O paciente on-line fica vulnerável
aos maus profissionais que oferecem seu endereço eletrônico
para abusar e lucrar com a fragilidade alheia.
AVALIAÇÃO CORPORAL: A avaliação
da postura corporal do paciente é fundamental para
o bom resultado terapêutico. Esta recomendação
feita por Freud foi comprovada por terapeutas que percebem
a intensidade do que o paciente está sentindo, através,
por exemplo, da observação de sua respiração
e dos movimentos de seu diafragma.
PACIENTES GRAVES: Até mesmo terapeutas on-line admitem
que pacientes graves como depressivos, maníacos, suicidas,
paranóicos, entre outras formas de psicose são
indicados só para tratamentos off-line.
IMPOSSIBILIDADE DE MUDAR: Para psicanalistas como Daniela
Carvalho, a terapia on-line pode trazer benefícios,
mas a mudança interna implica, segundo ela, num trabalho
profundo, no qual é imprescindível a presença
física, emocional e espiritual do terapeuta.
Deu no Correio Brasiliense :
Relacionamentos eletrônicos
Cresce a discussão em torno das vantagens e desvantages
do atendimento pela Web
O fato de as pessoas de fato
se relacionarem por Internet (sexualmente inclusive) certamente
está causando trepidações nos alicerces
da psicanálise. Não se pode tratar uma pessoa
adepta do mundo virtual da mesma forma que Freud, Yung, Lacan,
ou qualquer outro papa do assunto, tratavam seus pacientes.
Novas formulações teóricas (e novos Freuds,
agora internautas) se fazem necessários.
‘‘Não adianta dizer se é certo ou errado. O
Conselho Federal de Psicologia e os psicanalistas mais conservadores
vão ter que encarar a realidade’’, afirma Anna Catharina
de Penasse, psicóloga carioca e mentora, junto Manuela
Moreiradesouza, da página Psiconline, há apenas
duas semanas na Rede.
Na Psiconline o método de atendimento é via
correspondência. A pessoa escreve um e-mail (do tamanho
que desejar) e o terapeuta envia outro de volta respondendo
àquelas questões. Cada troca de cartas eletrônicas
sai por R$ 10,00. ‘‘Não quero ficar rica com isso.
Encaro como um desafio. Uma experiência que possa ajudar
as pessoas no futuro.’’, diz Anna Catharina.
Marcus Vinícius de Oliveira, conselheiro do Conselho
Federal de Psicologia (CFP), não é, de forma
alguma, avesso às novas tecnologias. Mas faz restrições.
‘‘Não deveria ser um serviço cobrado, mas apenas
com o intuito de pesquisa. Deve se ter muito cuidado com a
comercialização, jogadas de marketing. Pessoas
que vendem novidades pode ser charlatãs’’, diz ele.
‘‘É complicado você cobrar por um produto que
não tem efetividade comprovada cientificamente’’, acrescenta
ele.
Marcelo Salgado, psicólogo formado e pós-graduado
pela Universidade de Brasília, é pioneiro em
atendimento mediado por tecnologia no Brasil. Desde 1996 mantém
seu divã virtual, onde atende pacientes por e-mail
ou em chats, fica a critério do freguês. ‘‘O
serviço deve ser cobrado, caso contrário a pessoa
não leva a sério e pode até mesmo querer
brincar’’, diz ele, que cobra R$ 12,00 por consulta virtual.
A cobrança, como em todas as páginas, é
sempre por depósito bancário antecipado.
A terapia via Internet se
utiliza de textos, ao contrário da convencional. ‘‘Como
no jogo do bicho, o que vale é o que está escrito’’,
resume Salgado. Os que são contra dizem que palavras
escritas não traduzem a mesma emoção
que as faladas. ‘‘Qualquer poeta ou escritor derruba essa
tese’’, afirma Elza Rocha Pinto, professora da UFRJ. ‘‘Mas
para fazer o atendimento o psicólogo deve ter uma formação
consistente em interpretação de textos’’, acrescenta
a psicóloga.
Anna Catharina, do Psiconline,
acrescenta que a linguagem na Internet já está
evoluída no que se refere a traduzir emoções.
‘‘Os emoticons (símbolos que indicam sorrisos, cara
triste, apreensão, etc) vão ajudar muito no
atendimento via e-mail’’. Para todos os defensores da prática
o computador possibilita que as pessoas revelem com maior
fidelidade sua intimidade. ‘‘O paciente diz com maior facilidade
que é gay, sadomasoquista ou que quer transar com o
chefe’’, explica Anna Catharina.
Pode acontecer o contrário. Como nos chats de conversação,
as pessoas podem fantasiar à vontade. ‘‘No meio tecnológico
o indivíduo tem total controle sobre o que expor de
sua personalidade’’, diz Marcus Oliveira do CFP. No consultório
seria mais difícil, pois o paciente pode dizer que
está contente, mas suas feições denunciariam
justamente o contrário. Por outro lado, este argumento
acaba justificando a cobrança. Quem é que vai
ficar pagando para dizer mentiras ao terapeuta e, desta forma,
não resolver questão alguma? Apesar de parecer
contra-senso, isso é natural do ser humano e bem provável
que aconteça, até de forma inconsciente.
O maior ponto a favor da terapia online é diz respeito
à democratização do acesso. O preço
é sensivelmente mais barato, a vergonha (causa de muita
gente nunca ter procurado um psicólogo) é atenuada
substancialmente. E, o melhor de tudo, a distâncias
são reduzidas drasticamente. ‘‘A Internet possibilita
que idosos, portadores de deficiência física
e até mesmo o sujeito que trabalha em uma plataforma
de petróleo, no meio do mar, sofrendo com estresse
ou depressão, façam uma terapia’’, conclui Anna
Catharina. (João Luiz Marcondes)
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