Fortaleza
Você já deve ter ouvido maravilhas sobre a capital do Ceará. Pois nós fomos até lá e comprovamos que...
...é tudo verdade!


Viagem e Turismo - novembro/2000

Todo mundo conhece alguém que já foi a Fortaleza. E todo mundo que volta de lá chega falando maravilhas. O único problema é que cada um gosta mais de uma coisa do que de outra. Tem gente que se encanta com a riqueza do artesanato local e traz a mala cheia de rendas. Outras não conseguem esquecer as lagostas e os camarões que experimentaram. E há, ainda, quem jure que nunca viu uma noite tão animada quanto a de lá. Talvez a única unanimidade sejam as praias, mas, ainda assim, não há um consenso sobre qual seria a mais bonita. Quem está certo, afinal?

Todos, na verdade. E é justamente por agradar tanto a todo mundo que Fortaleza recebe, atualmente, mais turistas brasileiros do que qualquer outra cidade do país. Mais até do que o Rio de Janeiro ou Porto Seguro! E, para atender a esse "horror" de gente (calma: horror, para os cearenses, significa grande quantidade, mas sem nenhuma ofensa), a cidade montou, nos últimos anos, uma estrutura respeitável, com bons hotéis, restaurantes e todos os serviços que se espera de uma capital com mais de dois milhões de habitantes e outro tanto de turistas.

Fortaleza tem estrutura de capital, mas é divertida como uma cidade de veraneio

Rendas e bordados para incrementar o enxoval
O tempo passa devagar em Aquiraz, a 35 quilômetros de Fortaleza. Debaixo de um quiosque na Prainha, um grupo de rendeiras trabalha em silêncio, quebrado apenas pelo barulho do mar batendo nos recifes da praia. Cada uma tem à sua frente uma almofada recheada de folhas de bananeira, espetada com alfinetes, de onde partem diversos fios de linha branca, atados na ponta a cilindros de madeira chamados bilros. Conforme vão trançando os bilros em torno dos alfinetes, forma-se na outra ponta uma renda delicada, como as trazidas há cinco séculos pelos portugueses. "Um lenço como este leva um dia inteiro para ficar pronto", conta dona Raimunda, há 20 anos no ofício. Quanto custa? "A gente pede 3 reais, né, mas se o turista insistir dá para fazer por 2", ri.
É por causa de pessoas como dona Raimunda que o artesanato cearense é o mais rico e caprichado do Nordeste. E, também, o mais barato. Mas não é preciso ir até Aquiraz para encontrar qualidade nem preço nas rendas. Em Fortaleza, elas podem ser encontradas nas barracas da feirinha (na verdade, feirona) da Avenida Beira-Mar, nos três andares do Mercado Central e no Centro de Turismo, onde funcionava um antigo presídio.
Antes de ir a qualquer um deles, porém, avalie o espaço disponível na sua mala ou, se for preciso, compre outra. É difícil resistir à infinidade de redes, rendas, bordados e pinturas. E depois ainda haverá as lindas (e pesadas) esculturas de jangadeiros, entalhadas em peroba ou cedro. E as resistentes sandálias feitas de couro de jegue, as saídas de banho pintadas à mão, as miniaturas de jangada para presentear os meninos... Em algumas barracas você encontrará ainda esquisitices, como uma garrafa de pinga com um caranguejo inteiro dentro e os licores de jenipapo com nomes que não deixam dúvidas sobre suas propriedades afrodisíacas. Pode dar trabalho de encaixar na mala depois, mas, com certeza, você não vai encontrar nada parecido em outro lugar.


Essa onda de prosperidade inverteu até mesmo o histórico fluxo de migração para o sul do país, abrindo espaço para pessoas como a assistente social Lúcia Moura, que, depois de tentar a vida no interior de São Paulo por seis anos, voltou para Fortaleza, montou uma pousada, uma locadora de veículos, uma agência de passeios e vive feliz da vida. Bem-humorada, como toda cearense (não é à toa que Renato Aragão, Tom Cavalcante, Chico Anysio e Falcão são de lá), Lúcia adora contar o porquê do lendário "avantajamento encefálico" dos cearenses, característica que lhes rendeu a fama de cabeças-chatas: "Quando nasce uma criança no Ceará, o pai vai logo lhe dando tapinhas na cabeça dizendo: quando crescer tu vai para Sum Paulo", se diverte. E, logo, emenda: "Mas, no sul, as pessoas têm a cabeça alongada de tanto o pai dar tapinhas no rosto do filho, e perguntar -- será que tu é meu mesmo?", gargalha.

De dia, todo mundo come caranguejo na Praia do Futuro. E, à noite, volta para o forró

Como comer um caranguejo sem dar vexame
Poucas coisas são mais pitorescas em Fortaleza do que as barracas da Praia do Futuro. São mais de 50 bares e restaurantes rústicos, espalhados por quase dez quilômetros de praia. Você nem precisa se preocupar em levar guarda-sol e cadeira de praia ­ elas já têm. Algumas, como a Chico do Caranguejo, chegam ao requinte de ter cofres nas mesas, para você deixar a carteira enquanto nada.
O prato típico das barracas são os caranguejos, que você não pode deixar de experimentar. Eles são servidos em bacias de plástico e vêm com um toco de madeira, para quebrar a casca.
O melhor acompanhamento é a cerveja, que se mantém estupidamente gelada graças à engenhosidade local, que instalou garrafas de isopor dentro de tubos de PVC.
As únicas coisas que podem atrapalhar o seu descanso são os ambulantes, que, aliás, vendem de tudo: de chapéu de crochê a esculturas de madeira. E tem também os repentistas, que vão de mesa em mesa, com sua cantilena desafinada. Se você gostar, prepare uma gorjeta de, no mínimo, R$ 5.
Se não, tape os ouvidos, balance a cabeça e volte para sua bacia de caranguejos. E siga esse roteiro, passo a passo, para não dar vexame:
1 Vamos lá, coragem: a aparência do bicho não é nada boa, mas sua carne é macia e saborosa.
Vença o nojo e mãos a obra

2 Comece pelas patas menores. Basta quebrá-las nas juntas que a carne aparece. Se preciso, use os dentes. Não se preocupe com a (falta de) classe: todo mundo faz assim

3 Passe agora para as patas maiores, que têm mais carne. Bata com o pau até rachá-las. Termine o trabalho com as mãos mesmo

4 Agora, o corpo principal. Separe a casquinha, limpe o fel, coloque farofa, pingue umas gotas de leite de coco e mande ver. Nem pense em usar garfo e faca

5 Parta a carcaça em duas. Morda com cuidado e vá chupando. Não se incomode com o barulho ­ não há outro jeito de fazer isso. Mas é preciso ter paciência. Caranguejo não é filé

6 Acabou? Então chupe os dedos, junte os restos num canto da bacia e peça outro. Caranguejo é como salgadinho: nunca se come um só


Dizem que esse jeito moleque do povo de Fortaleza se deve à combinação da criatividade do vaqueiro, figura mítica do sertão cearense, com a alegria de viver dos jangadeiros, seus correspondentes no litoral. O resultado dessa mistura pode ser comprovado nos hilariantes desafios de repentistas e suas histórias cheias de duplos sentidos e provocações e, também, no novo Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, um moderno complexo de entretenimento construído para celebrar os talentos da terra. O projeto, muito bonito e arrojado, reúne no mesmo espaço cinemas, teatro, exposições, bares com música ao vivo e até um planetário. Depois da praia, todo mundo agora vai para lá.
E, por falar em praia, é preciso que se diga que as de Fortaleza, infelizmente, não estão entre as mais belas do país -- muito pelo contrário. As dunas de Mucuripe, por exemplo, filmadas por Orson Welles para o documentário It´s All True (É tudo verdade, em português -- até ele já sabia disso!), estão hoje escondidas atrás de um muro de outdoors, que não lembra em nada o paraíso selvagem dos jangadeiros mostrado na fita. A Praia do Futuro, a oito quilômetros do centro, é atualmente a única onde o banho de mar está liberado. Ainda assim, é mais conhecida pelas barracas de caranguejo e forrós de quinta à noite do que pela sua formosura.

O cearense é meio moleque. Não é à toa que tantos humoristas saíram de lá

Nos embalos de segunda à noite
Não adianta arranjar desculpa, alegar cansaço ou deixar para o dia seguinte. Se você estiver em Fortaleza numa segunda-feira, tem que ir ao Pirata, o forró mais agitado da cidade. A partir das oito da noite, o movimento nos arredores da Praia de Iracema já mostra porque o New York Times concedeu à casa o título de "A segunda-feira mais animada do planeta."
Aos primeiros acordes da sanfona, uma multidão toma a enorme pista construída à beira-mar, onde sacolejará sem descanso até o dia clarear. No palco principal, dançarinas ensinam os passos da coreografia para quem quiser aprender a dançar como os cearenses, enquanto a bandas Alta Tensão e Pirata alternam-se na execução dos hits de forrobodó, axé, pagode e salsa.
Quem ficar até às quatro da manhã ainda ganha um caldinho para repor as energias, antes de ir para casa. Mas, se der vontade de voltar no dia seguinte, esqueça. Desde que foi inaugurado, em 1986, o Pirata nunca estendeu suas atividades aos outros dias da semana, preferindo aproveitar a falta de opções da até então inexpressiva noite de segunda-feira. Em qualquer outro lugar do mundo, teria sido um fracasso. Em Fortaleza, arrasou.


A boa notícia, porém, é que os arredores da cidade compensam com sobras a precariedade das praias do centro. Num raio de 100 quilômetros da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, que marca o local de nascimento da cidade e revela o porquê do seu nome, encontram-se algumas das areias mais festejadas do Ceará, como a Praia das Fontes, a leste, e as dunas de Cumbuco, a oeste. Esticando um pouco mais o passeio, chega-se, também, às deslumbrantes Canoa Quebrada, a caminho de Natal, e Jericoacoara, já quase na divisa com o Piauí. Cada uma delas exige pelo menos dois dias do seu tempo para ser devidamente aproveitada. Mas isso, numa viagem para Fortaleza, não faz a menor diferença. O que importa mesmo é voltar para casa cheio de boas lembranças e comparar com as dos amigos que já foram para lá. E, juntos, convencer os outros, que não sabem o que estão perdendo.

O Beach Park, maior parque aquático do Brasil, é
diversão certa. E tem até praia


Beach Park: praia pra quê?
Apesar de bonita, a Praia de Porto das Dunas, a 20 quilômetros de Fortaleza, nunca chamou muito a atenção. As barracas da Praia do Futuro, de um lado, e as dunas de Canoa Quebrada, do outro, ofuscavam o brilho de suas areias finas e branquinhas. De uns anos para cá, porém, isso mudou. E tudo por causa do Beach Park, o maior parque aquático do Brasil, que fica ali. Com isso, Porto das Dunas virou parada obrigatória em Fortaleza. O curioso é que, apesar do movimento, a praia continua vazia.
Acontece que, com tantas piscinas no Beach Park, ninguém quer saber de entrar no mar. Areia grudando no corpo? Jamais! Imagine as conseqüências do efeito lixa ao escorregar nos tobogãs do parque, alguns com mais de 40 metros de altura. Também não dá para competir com a sensação de deixar-se levar, sobre bóias, pela suave correnteza de um rio artificial ou a emoção de enfrentar o Insano, um tobogã que tem a altura de um prédio de 14 andares.
Mesmo assim, quem se animar a dar uma volta pela praia descobrirá que existem ali quiosques com serviço de restaurante, espreguiçadeiras e banheiros limpos. Pena que, com tantas atrações no parque, você só se lembrará disso na hora de ir embora. E é por isso que a praia vive vazia.


As dunas do sol poente

Conhecer o litoral oeste do Ceará, que vai de Cumbuco, a 40 quilômetros de Fortaleza, até a divisa com o Piauí, não é tarefa muito fácil. Ao contrário de outros pontos muito menos interessantes da costa brasileira, este trecho não tem uma estrada que vá margeando as praias e revelando, pela janela do carro, as maravilhas do trajeto. Mas não responsabilize precipitadamente o governo por essa falha. A culpa é das próprias dunas ­ justo elas que são um dos principais motivos de se ir até lá.

A falta de uma estrada à beira-mar preservou a beleza das praias do oeste

Graças à posição geográfica dessa região, bem no cotovelo do Nordeste, os ventos tendem a arrastar com mais força a areia das praias, formando montanhas de até 30 metros de altura. As dunas resultantes deste fenômeno fazem com que todas as praias sejam muito bonitas, mas três delas são ainda mais especiais: Cumbuco, Lagoinha e, principalmente, Jericoacoara . A mais badalada ­ e também a mais fácil de chegar ­ Cumbuco, onde é possível fazer passeios de jangada, de jegue, de quadriciclo e, os mais comuns, de bugue. São eles que levam os turistas para conhecer as lagoas que existem no meio das dunas, aproveitando o caminho para deslizar pelos montes de areia, enchendo o passeio de emoção.
Já a Praia de Lagoinha, a 120 quilômetros de Fortaleza, é o próprio cartão-postal do Ceará. Duas dunas arredondadas, uma em cada canto da praia, arrematam uma enseada de águas calmas e ainda mais freqüentada por jangadeiros do que por turistas.

Pequeno dicionário de cearensês
Abestado: abobado
ex: Pára com isso, menino, tu tá abestado?
Ande, Tonha!: usado para apressar alguém
ex: Ande, Tonha, com essa janta!
Arre égua!: interjeição de espanto
ex: Arre égua, Macicleide! Que susto!
Cabra véi: amigo do peito
ex: Firmino, cabra véi, me dá um abraço.
Rebolar no mato: jogar no lixo
ex: Vou rebolar essa lata no mato e já volto.
Tá com a mulesta: está nervoso, atacado
ex: Cuidado que o Zé tá com a mulesta!


Os passeios que valem a pena fazer
Passeio das praias ­ As visitas às praias de Cumbuco, Caponga, Iguape, Fontes, Morro Branco ou Lagoinha são feitas em vans ou microônibus, que saem de manhã e voltam no final da tarde. Custam de R$ 15 a R$ 30, dependendo da(s) praia(s) visitada(s), e são vendidos nas agências ou diretamente nas vans que ficam estacionadas na Avenida Beira-Mar. Os veículos são confortáveis, têm ar-condicionado e, alguns, até televisão ­ os das agências têm, ainda, guia. Se der, vá em todos, porque as praias valem. Se não, visite, ao menos, Cumbuco e Morro Branco, as mais bonitas.
Beach Park ­ É um programão que pode ser comprado no próprio hotel. O traslado sai por R$ 15 e o ingresso, R$ 40 (até 18 anos) ou R$ 50 (acima) ­ crianças abaixo de um metro não pagam. Mas, se estiver em grupo, vá por conta própria e de táxi: custa R$ 60 ida e volta, e você volta na hora que quiser.
Canoa Quebrada ­ Não embarque nos passeios de um dia (R$ 25), porque Canoa é longe (quase 160 quilômetros) e vai sobrar pouco tempo para curtir a praia. O ideal é ficar pelo menos uma noite lá.
Jericoacoara ­ Só valem a pena os pacotes de, no mínimo, três dias, já que o caminho é longo.
Certifique-se se o veículo tem ar-condicionado.
City Tour ­ Custa R$ 20 e mostra as principais atrações de Fortaleza durante quatro horas. É uma boa opção porque visita lugares como o Farol do Mucuripe e o Teatro José de Alencar, que muita gente não veria sozinha.
Passeio de barco ­São três opções saindo da Praia do Mucuripe: o Manhã Ensolarada, das 10 ao meio- dia; Pôr-do-Sol, das 4 às 6 da tarde; e Fortaleza Iluminada, às 8 da noite. Todos custam R$ 15, mas o melhor é o do pôr-do-sol.


Em Jeri, ainda dá para dormir sob o céu estrelado e acordar com o canto do galo

O progresso não mudou o jeito manso de Jericoacoara
Não é muito fácil chegar lá, mas quem já foi garante: se existe um paraíso no Ceará, ele fica em Jericoacoara, ou Jeri para os íntimos. Essa praia, quase no finalzinho da costa oeste do Ceará, é um lugar especial, não só pela sua beleza natural, mas, também, pelo astral de quem mora lá.
Basta caminhar pela rua principal (há quatro ruelas de areia) para ter certeza disso. As pessoas ainda têm o sorriso franco e o olhar doce de quando os primeiros forasteiros chegaram por lá, no final dos anos 70. Naquela época, os aventureiros que encaravam viajar os mais de 300 quilômetros que separam a vila de Fortaleza (os últimos 20 a pé, entre as dunas) eram acolhidos pelos próprios pescadores, que armavam redes na sala.
Hoje, não é mais assim. Jeri já tem uma boa rede de pousadas, muitos bares e pequenos restaurantes. Mas a surpresa é que, ao contrário do que aconteceu em vários pontos do Brasil, a chegada do progresso não mudou o jeito manso do povo, nem descaracterizou a vila. Uma prova disso é que, quando a energia elétrica chegou, há apenas dois anos, ela não veio acompanhada de postes e fios, que estragariam o visual bucólico do lugar.
Por uma exigência dos moradores, a fiação ficou toda subterrânea ­ coisa que, no Brasil, existe em pouquíssimas cidades, como Brasília e Tiradentes. Em Jeri, ainda dá para dormir sob um céu estrelado, como quase não se vê mais, e acordar cedinho com o canto do galo. Sim, porque lá tem tanta coisa bacana para se ver (como as dunas de Tatajuba e a Lagoa Azul de Gijoca), que ficar na cama até tarde é um desperdício.

Para chegar lá
Já existem quatro maneiras de ir de Fortaleza a Jeri. A primeira é alugando um bugue ou um carro com tração nas quatro rodas, para atravessar os 20 últimos quilômetros pela areia da praia ou no meio das dunas. Outra alternativa são os pacotes das agências cearenses, que custam R$ 100 e incluem duas noites na vila. Também dá para ir de ônibus, da Empresa Redenção, (085) 256-2728. Sai por R$ 20 e leva seis horas. E dá até para ir de avião, pela Correta Linhas Aéreas, (085) 272-3288. A passagem de ida e volta custa R$ 330 e o vôo leva apenas uma hora, mas pousa em Camocim. De lá, são mais 50 minutos de carro pela praia até Jeri.


O novo litoral da Globo

Os quase 200 quilômetros do litoral leste que separam Fortaleza do Rio Grande do Norte foram batizados pelo governo cearense de Costa do Sol Nascente, numa alusão ao seu posicionamento oriental. É um bom nome, sem dúvida. Mas existe outro, adotado pelos guias, que é melhor ainda -- ou, pelo menos, mais fácil de guardar: Litoral da Globo.
O novo nome não foi dado sem precisão, como dizem os cearenses para expressar a falta de um motivo justo. É que, passadas as comunidades de rendeiras de Aquiraz, as casas de veraneio de Caponga e a beleza selvagem de Águas Belas, tudo o que virá pela frente neste trecho de praias maravilhosas foi ou vai ser usado como cenário de televisão.

As praias do leste são tão lindas que quase todas já viraram cenário de novela

Quem chega à Praia de Morro Branco, por exemplo, antes mesmo de avistar suas famosas falésias em 12 tons de areias co-loridas, fica logo sabendo que a Capela de São Pedro, na vila, era a casa de seu Rodrigo, personagem de José Wilker na novela Final Feliz, de 1982. E na hora de ver as tais falésias, descobre que ali foi filmada a antiga abertura do Fantástico, estrelada por Isadora Ribeiro.
No caminho para a vizinha Praia das Fontes, o visitante tem a chance de experimentar a água pura que brota dos paredões de areia. Mas só para não perder o hábito é apresentado à Gruta da Mãe d´Água, celebrizada em Tropicaliente, de 1994, como o ninho de amor de Vítor e Açucena, personagens de Selton Melo e Carolina Dieckman. Continuando pela areia, e sempre para o leste, chega-se a um trecho desolado da costa, conhecido como Barra da Sucatinga. Mas... Repare bem nas dunas altas, na vastidão da areia e nas ondas fortes quebrando contra os recifes. Não lhe parece familiar? Sim, foi aqui o cenário de No Limite, o megasucesso do ano no Ceará. A Globo tem tanta intimidade com essa parte da costa que sentiu até no direito de rebatizar o lugar, que foi apresentado como Praia dos Anjos -- nome que não existia e agora todo mundo conhece.

Canoa Quebrada é impossível ficar um dia só
Se alguém lhe oferecer um passeio de um dia para Canoa Quebrada, não vá. Para curtir Canoa como se deve, é preciso dormir lá, numa das muitas pousadinhas simpáticas desta ex-vila hippie entre dunas e falésias avermelhadas, acordar cedo no alto da praia, descer pelas areias ainda frescas das dunas até a beira do mar e caminhar sem pressa pela praia vazia. Depois, passar o dia experimentando as comidinhas das barracas, esperar a maré subir até molhar o pé da mesa e enfrentar a subida das dunas novamente, com a certeza de que será recompensado, lá em cima, com um pôr-do-sol de amolecer as pernas. Só depois você entenderá por que Canoa é tão especial. E um dia é muito pouco para tudo isso.

Toque do autor

Tente passar uns dias em Jericoacoara, que é um paraíso entre dunas, lagoas e coqueiros. O problema é que chegar lá dá um trabalhão danado: de Fortaleza, são uns 300 quilômetros de asfalto mais 20 de estradas de terra e um bom trecho de areia. Mas, até hoje, ninguém que foi lá se arrependeu.

 

Fortaleza
Você já deve ter ouvido maravilhas sobre a capital do Ceará. Pois nós fomos até lá e comprovamos que...
...é tudo verdade!



Por Andrea Nathan e Yuri Vasconcelos/Foto: Carlos Goldgrub
Viagem e Turismo - novembro/00

Todo mundo conhece alguém que já foi a Fortaleza. E todo mundo que volta de lá chega falando maravilhas. O único problema é que cada um gosta mais de uma coisa do que de outra. Tem gente que se encanta com a riqueza do artesanato local e traz a mala cheia de rendas. Outras não conseguem esquecer as lagostas e os camarões que experimentaram. E há, ainda, quem jure que nunca viu uma noite tão animada quanto a de lá. Talvez a única unanimidade sejam as praias, mas, ainda assim, não há um consenso sobre qual seria a mais bonita. Quem está certo, afinal?

- Quando ir

Não importa, já que faz sol e tem festa o ano inteiro. Mesmo no período de chuvas, que acontece nos primeiros meses do ano, não chove tanto a ponto de atrapalhar as idas à praia. Convém, sim, ir preparado para o calor, que bate fácil, fácil nos 40 graus ­ dezembro e janeiro são os meses mais quentes. Já em agosto e setembro, o calorão é abrandado pelos ventos que sopram na região.

 

- O que levar

Protetor solar é o primeiro item da lista, já que o sol de Fortaleza é impiedoso. Também não esqueça de muitos shorts, camisetas, sandálias, bonés e óculos escuros. O ambiente na cidade é descontraído e dá para entrar de bermuda em quase todos os lugares. Para um jantar mais formal, uma calça basta.

 

- Transporte ideal

A maior parte dos hotéis fica na Praia de Iracema ou na Avenida Beira-Mar e, por isso, dá para conhecer a maioria das atrações da cidade a pé. Mas para ir à Praia do Futuro, a melhor de todas e onde estão as barracas de caranguejo, pegue um táxi (R$ 10) ou alugue um carro (R$ 50 a diária, em média, nas pequenas locadoras da cidade). Bugue não é uma boa, porque é desconfortável e o sol e o vento forte acabam incomodando.
Deixe para alugar um quando for conhecer o bonito litoral cearense, um programa, aliás, obrigatório.

 

- Como chegar

Todas as grandes empresas aéreas nacionais têm vôos diários para Fortaleza. Quem está no Rio e em São Paulo, tem ainda a opção de voar com companhias aéreas menores, como a Fly, (011) 256-0370, a BRA, (085) 477-1423, e a ViaBrasil, 0800-124848, que cobram quase a metade do preço pela passagem.

 

- Endereços úteis

A Secretaria de Turismo do Ceará tem um Disque Turismo, 0800-991516, que dá informações sobre hotéis, restaurantes, passeios e transportes. Você também pode acessar o site www.cearatour.com.br, que tem tudo sobre o estado. Além disso, existem postos de informações no aeroporto, no centro da cidade, na rodoviária e no farol do Mucuripe.

 

- O que trazer

O artesanato do Ceará é um dos mais variados do Nordeste. Confira o que existe de mais legal e quanto custa.
— Garrafa com areia colorida: R$ 5
— Toalha de renda: R$ 35
— Talha de madeira: R$ 50
— Rede: R$ 20
— Chapéu de palha: R$ 10
— Camiseta do Forró do Pirata: R$ 10

 

- Quanto custa

Fortaleza é uma cidade barata. Um táxi do aeroporto até a região dos hotéis, na orla, custa R$ 15. Duas pessoas comem uma deliciosa moqueca com menos de R$ 20. E o caranguejo na Praia do Futuro sai por um mísero R$ 1. Em uma semana, um casal gastará menos de R$ 1 000 com hotéis, refeições e passeios ­ mas sem a locação do carro, que vai custar outros R$ 350.

 

- Permanência

Uma semana é tempo suficiente para conhecer bem Fortaleza e as praias das redondezas. Com um pouco de esforço, dá até para visitar Canoa Quebrada e Jericoacoara. Mas, nesse caso, o ideal mesmo é esticar para dez dias ou duas semanas.

 

- Eu Fui

"Fiquei uma semana em Fortaleza e fiz todos os passeios. Um dos melhores é para Canoa Quebrada. Adorei."
Renata Piotto
São Paulo, SP

"O Beach Park é fantástico. Além das piscinas com ondas, duchas e tobogãs emocionantes, curtimos, em frente, uma praia de areias brancas, sol constante e sombra de coqueiros. Recomendamos!"
Dewis e Aluízio Nogueira
Ribeirão Preto, SP

"Passei as melhores férias da minha vida no Ceará. É forró para todo lado, tem praias lindíssimas e água de coco a preço de banana. Mas o que mais me impressionou foi a hospitalidade do cearense. Nunca vi gente tão legal."
Márcia Leite Paes
São Paulo, SP

"Acabamos de voltar de Fortaleza e, além das praias, gostamos muito de ter conhecido as falésias de Morro Branco, de onde sai a areia colorida usada para fazer aquelas garrafinhas com paisagens dentro."
Valdirene e Plínio Barbosa
Uberaba, MG