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Por Valdir Fontes
A espécie eleita, ainda era bruta e precisava de mais evolução. Então ele criou um processo de eugenia. E do resultado ele tirou alguns escolhidos, que foram chamados de jaffa, e estes cumpriam as funções militares, enquanto estavam sendo preparados para terem seus corpos dominados, ao servirem de hospedeiros para um deus. Um portal foi construído para que os novos jaffas pudessem ser enviados para os reinos habitados pelos goa'ulds (lê-se golds, ou goaúl no singular), onde serviriam de hospedeiros aos seus novos senhores. E assim, esta espécie foi semeada, e disseminada por todo o universo explorado por estes 'deuses'. Cada um deles faria de seu mundo uma fazenda, onde pudessem criar e desenvolver seus novos rebanhos.
Mas a humanidade não demorou a perceber a crueldade de seus novos deuses, e passaram a engendrar um meio de expulsá-los do nosso planeta. Foi quando em uma grande revolta eles conseguiram destruir a nave que havia trazido o invasor até nós, mataram os jaffas, os goa'ulds e exilaram Rá através de seu próprio portal, antes de enterrá-lo, já que era construído de um material indestrutível, para a época. Os goa'ulds, viram que tinham meios para continuarem vivendo dos humanos já levados para os seus domínios, e uma viagem de volta à Terra, levaria muitos anos, e não traria vantagens. E então, um dia, quando já estivessem fortalecidos, eles voltariam e despejariam sobre nós toda a ira de uma vingança nunca esquecida.
Esta é a premissa original dos autores Dean Devlin e Roland Emmerich. Mas a história que eles nos apresentaram é vista por um ângulo bem diferente: a humanidade após milhares de anos de isolamento, finalmente desenvolveu a sua ciência a tal ponto que já estava preparada não só para esperar pelo contra-ataque, mas, na nossa costumeira arrogância, atacar primeiro. Após desenterrarem o stargate (portal estelar), eles desvendam o seu processo de orientação e o atravessam, preparados para destruirem o mundo que estivesse do outro lado.
A partir do sucesso de bilheteria que foi "StarGate" os estúdios MGM/UA, a Gekko Film Corp, e a Double Secret Productions, juntamente com o produtor Ron French e os roteiristas Brad Wright e Jonathan Glassner desenvolveram o fundo para uma série de TV: StarGate SG-1. O nome é uma composição do título do filme para o cinema, seguido da sigla do mesmo nome com o númeral Um. O que significa: o primeiro grupo de reconhecimento do Comando Stargate. Existiam um total de nove grupos que chegaram a doze, cada um com um missão específica. Mas a série só acompanha as aventuras do grupo Um. O elenco tem algumas estrelas, onde Richard Dean (MacGiver) Anderson encabeça o elenco, juntamente com Michael Shanks, Amanda Tapping, Christopher Judge e Don S. Davis. Desde o primeiro episódio, todos os atores transmitem uma grande familiaridade com as personagens, não dando em nenhum momento a impressão de excessos dramáticos, ou atitudes incoerentes com o desenrolar dos episódios. As histórias são surpreendentemente bem escritas e os "furos" são mínimos (por exemplo: todo mundo fala inglês). As tramas são bem elaboradas, e conduzidas com maestria. O enfoque de ficção científica fica ligeiramente deslocado, previlegiando-se muitas vezes a ação, mas sem se perder a idéia central. Com este caldo de qualidade o resultado é que a atenção do telespectador é mantida com vigor.
Dentro dos quesitos efeitos especiais e sonoplastia, nada fica a desejar. Embora a trilha sonora original seja de David Arnold, os produtores preferiram trazer o bom e velho Joel Goldsmith, que imprimiu um ritmo mais militar e misterioso aos temas musicais apresentados durante a série, e diga se de passagem, é bem marcante e difícil de esquecer, do tipo em que você se pega cantarolando, de vez em quando. Os efeitos especiais, são os mesmos do cinema, com algumas inovações, mas sempre dentro do nível apresentado pela série. Com a diferença das armaduras dos jaffas que no cinema eram totalmente produzidas por computação gráfica, na TV são verdadeiras e, é claro, menos funcionais. As histórias não conseguiram, no entanto, escapar da lugar comum da busca infinita de um meio de combater os alienígenas. Mas, pelo menos este grupo não é mais um dos eternamente-perdidos-nunca-esquecidos-sempre-detestados. Eles, diferentes de outros desbravadores, voltam para casa ao fim de cada episódio, sempre trabalham em conjunto, não existe um vilão-chato-disfarçado-de-bonzinho, para "melar" cada conquista com os desvarios da ganância e desejo de poder, dos meandros escuros da "alma humana" e, finalmente, os inimigos estão bem à vista. A série tem sido muito bem aceita nos Estados Unidos e Europa, já tendo garantido uma quinta temporada. Thanks god por existir televisão por assinatura, pelo menos assim podemos ter acesso aos episódios sem o risco da série ser cortada no meio da temporada, sem sequer um esclarecimento ao público. |