Grupo Avançado

Terra: Conflito Final - Introdução

Por Valdir Fontes

"Earth: Final Conflict" (Terra: Conflito Final)
1997- EM PRODUÇÃO
Criada por Gene Roddenberry
Produzida por Atlantis Films

Nave Mãe e elenco Gene Roddenberry (o criador de Jornada nas Estrelas) sempre teve alguns maus hábitos. Segundo sua esposa, Majel Barret Roddenberry, ele sempre dizia: "Longe dos olhos, longe da mente!". Por isso Majel tinha alguns dons, o de viver girando em volta de seu marido e coletando todo tipo de papéis rabiscados e deixados de lado. Ele vivia elaborando projetos, mas o projeto que mais lhe consumiu tempo foi o entitulado por ele de, Zona de Combate Terra (Battleground Earth). Este projeto começou em 1967, durante a exibição de Jornada nas Estrelas, série original. E mesmo após ter sido rejeitada pelos estúdios, ele trabalhou nela ainda por mais 10 anos. Em 1977 ele estava ainda trabalhando na idéia para a criação de 3 filmes para a Fox, quando a Paramount lhe propôs o retorno de Jornada nas Estrelas, cujo destino acabou sendo a telona. Roddenberry, com isso, pôs definitivamente de lado o seu projeto, dizendo: "Se eu sei fazer isto bem (Jornada nas Estrelas), por que não continuar fazendo?"

Após a morte de Gene, Majel, que tinha coletado seus trabalhos e armazenado em centenas de caixas, durante toda a sua vida de casados, começou a reorganizar as coisas os textos de Gene, dando de cara com a velha idéia. "Nós tínhamos a história e roteiro do piloto completo e toda uma nova série, contudo tínhamos que trocar algumas coisas que realmente não tinham mais sentido após 20 anos. Eu propus a idéia a várias agências, mas acertei com a CAA. Eles me apresentaram a David Kirschner."

"Nós estamos usando os mesmos ideais que Gene sempre levou ao seu trabalho: responsabilidade ambiental, intolerância, preconceitos e principalmente a supremacia do espírito humano. Nós trouxemos histórias que ele tinha escrito. Algumas apenas em uma linha. Outras, eram 16 páginas, prontas para ir para o roteiro. Algumas estavam a lápis, algumas difíceis de ler, algumas desatualizadas, falando de gangs de motoqueiros, que nós atualizamos." Diz Majel. "Mas o básico está lá. Roddenberry acreditava que em 250 anos a humanidade seria uma espécie de atos e espírito nobres, tendo resolvido seus problemas de racismo, sexo, fome e doenças, e nossa tecnologia estará nos levando ao espaço profundo", completa.

Assim nasceu a série Terra: Conflito Final, que tem o Canadá como o local de produção das tomadas.

A condução de Terra: Conflito Final nos mostra como a humanidade se preparará para ultrapassar as fases intermediárias de nossa evolução social, que nas propostas da Teoria do Caos, serão turbulentas. E neste pano de fundo é que chegam 71 alienígenas misteriosos, andróginos e, aparentemente bem intencionados.

taelon A série mostra um nível intermediário entre os alienígenas bonzinhos de "ET", "Contatos Imediatos do 3º Grau", "Coocon" e "Star Man"; e os malvados de "Indenpendence Day", "V" e "Marte Ataca".

Na primeira temporada da série, o elo com o público é o herói, William Boone (Kevin Kilner), um ex-policial que é escolhido por Da’an (lê-se da-râm) (interpretado por Leni Parker, de Pânico), líder dos taelons (lê-se têilons), como oficial de ligação. Mas este se torna um agente da resistência ao desconfiar que sua mulher foi morta por um plano dos "companheiros", que é como se consideram os alienígenas. Sua assistente é uma piloto dos Marines, a Capitã Lili Marquette (Lisa Howard, de Highlander).

Capitão Willian Boone Na segunda temporada, Willian Boone é substituído por Liam Cassidy (Robert Leeshsck). Que não é totalmente um ser humano, pois seu ADN é 2/3 humano e 1/3 de uma espécie alienígena, chamados quimera.

Outros personagens são Jonathan Doors (David Hemblen, de Tek War), um magnata dos computadores. Qualquer semelhança com Bill Gates é mera coincidência. Temos também: Augur (Richard Chevolleau), um hacker (pessoas que penetram em sistemas de computação alheios); Ronald Sandoval (Von Flores, de Tek War), agente especial do FBI; e, finalmente, a Dra. Belman (ninguém mais nem menos que a Sra. Roddenberry) uma médica que trabalha também a favor da resistência.

Esta é uma série que deve ser encarada como uma companheira para Jornada nas Estrelas, talvez deva até ser vista como um prólogo. Como o "Primeiro Contato" com os vulcanos, temos aqui a humanidade se modificando com a chegada dos alienígenas. Neste contexto Boone, é o que decide o que é moral e o que não é, desde que os velhos conceitos já não se enquadram mais, e ele agora anda em um estreito caminho entre a humanidade e o mundo alienígena.

Apesar de não serem alienígenas ao estilo borg, Da’an se baseia no princípio de que a individualidade pode ser muito destrutiva, acreditando na coletividade inconsciente, como forma de condução de um espécie inteligente. Os taelons trazem consigo uma nova forma de religião, que seria a religião de todos os mundos. Eles estão constantemente questionando Boone sobre as falhas humanas. No episódio "Miracle" (Milagre), escrito pelo veterano de Jornada nas Estrelas D.C. Fontana, Da’an diz para Boone que neste planeta nós tentamos nos matar por tudo, e principalmente por diferenças de credos. Ao que Boone pergunta se é diferente no planeta deles, e Da’an responde que nós somos diferentes de todos os outros planetas.

Este seriado funciona mais como um enigma que nos faz tentar entender ao que se propõe os taelons, alguns decidem que eles são bons e outros que são maus. Desde que suas propostas não são de conquistas ou de nos devorarem, devemos então opinar sobre se o que eles produzem é positivo ou negativo.

Os taelons não são do tipo do alienígena que rouba seu corpo, ou penetra em seu cérebro. Eles estiveram explorando o universo mas agora se depararam com o mais violento de todos os planetas que já encontraram. Eles nunca viram uma espécie tão empenhada em destruir seu semelhante, foram pegos de surpresa, e não digerem as nossas contradições. Uma espécie que é capaz de criar tal destruição e ao mesmo tempo algo tão sublime como a música clássica. Os taelons, portanto, não são capazes de violência, mas se utilizam de um expediente que para eles é totalmente moral, a subversão e a manipulação.

A série começou nos Estados Unidos em Outubro de 1997 e ainda está em produção. No Brasil ela foi lançada em TV por assinatura no canal Tele-Uno, e depois a Rede Record adquiriu os direitos da exibição da série. E apesar de sua curta vida, já é uma série pertencente ao Sindication, o que nos indica que o futuro desta nova saga de Roddenberry é bastante promissor. Atualmente, o único canal a apresentar a série é o USA da Globosat, na sua seção Sci-Fi, que ocorre aos Sábados às 19h00, reprisado no Domingo às 16h00.

Para os fãs de Jornada nas Estrelas, série original, Terra: Conflito Final guarda ainda algumas surpresas referenciais. Na mesa do consultório da Dra. Belman (Majel) está uma foto de Gene, e os produtores ainda brincam com a possibilidade de William Boone poder estar na árvore genealógica de ninguém mais nem menos que James Tiberius Kirk. Kirschner ainda convida os fãs a olharem com especial cuidado ao que ele chama de surpresas do arco da velha.

Como podemos ver, a série promete muitas novidades e os produtores são bastante corajosos e auto-confiantes da qualidade técnica do trabalho apresentado. Eles esperam, pelo visto, não só que assistamos, mas que interejamos (se é que este termo pode ser empregado) com a série, os personagens e a história.


Fim, por enquanto!


Grupo Avançado
uma cortesia da
Fortalnet